Opinião

África em ascensão

Josphat K Maikara |*

Na medida em que comemoramos o 57º Dia da África, o mesmo chega num momento em que o mundo está a enfrentar uma pandemia sem precedentes na forma de COVID-19.

África não foi poupada, e a pandemia ocorre num momento em que a África está em ascensão e está a ameaçar a recuperação dos ganhos que o continente obteve política, económica e socialmente. Contudo, a mãe África provou em mais do que muitas ocasiões que é resiliente e, agora, mais do que nunca, exige esforços concertados em todo o continente, não apenas para combater a propagação da doença, mas para garantir o futuro do povo africano.
O Dia da África é uma celebração anual marcada a cada 25 de Maio para comemorar o nascimento do espírito africano na forma da Organização de Unidade Áfricana (OUA), agora conhecida como União Africana (UA). Este dia concede ao povo africano a oportunidade de reflectir sobre as aspirações dos pais fundadores em relação ao futuro do Continente. De facto, no 50º Aniversário da OUA / UA, esse futuro foi revigorado conforme defendido na Agenda 2063 adoptada “a África que queremos”.
O Dia da África 2020 tem como premissa o tema: “Silenciando as Armas: Criar Condições Favoráveis ao Desenvolvimento da África”. Isso é proporcional à 4ª aspiração da Agenda 2063 da África, que destaca a necessidade de prevenção de conflitos centrada no diálogo, bem como a gestão e resolução de conflitos existentes, com o objectivo de silenciar as armas até o ano 2020. Isso deve ser alcançado, entre outros, através da abordagem das causas profundas dos conflitos, erradicação e abordagem das fontes recorrentes e emergentes de insegurança, incluindo pirataria, terrorismo, crimes transnacionais e crimes cibernéticos, implementação da agenda de prevenção de conflitos, consolidação da paz, apoio à paz e nacionalidade. reconciliação, reconstrução e desenvolvimento pós-conflito e manutenção de uma África livre de armas nucleares.
Em 2016, o Conselho de Paz e Segurança da União Africana (CPS da UA) adoptou o Roteiro Principal da União Africana sobre Passos Práticos para Silenciar as Armas na África até o ano 2020 (AUMUR na sigla em Inglês). O objectivo estratégico do AUMUR é efectivar as decisões e políticas relevantes da UA, através da implementação das etapas práticas identificadas em cinco aspectos, a saber: político, económico, social, ambiental e jurídico.
Este é um marco importante que sinaliza ao mundo que a África está no limiar de uma nova década de busca da paz, segurança e desenvolvimento sustentáveis, a fim de transformar a vida das pessoas deste grande continente. Desenvolvimentos recentes indicam que a África está numa trajectória positiva em questões de paz, segurança e governação, pré-requisitos para o desenvolvimento do continente.
Apesar dessa trajectória positiva, África continua a experimentar conflitos prolongados que levam à crises económicas e humanitárias que exigem soluções duradouras e urgentes. Além disso, o terrorismo, o extremismo violento e as guerras por procuração travadas no continente por potências externas continuam a representar uma ameaça existencial no nosso continente.
Para superar esses desafios, é necessário dobrar os esforços para enfrentar os factores que desencadeiam conflitos e crises, ao mesmo tempo multiplicar as oportunidades de comércio e investimento, integração, prosperidade e um futuro comum, conforme descrito na Agenda 2063 e na Área de Livre Comércio Continental da África (ALCA), lançada em Niamey, Níger, em Julho de 2019. Entre esses esforços está o imperativo urgente de criar empregos para os jovens africanos, a fim de isolá-los do desespero que os deixa vulneráveis à manipulação de grupos violentos, incluindo organizações terroristas.
Além disso, África também deve apoiar o seu nobre objectivo de silenciar as armas, garantindo também a representação e participação de mulheres e jovens na governação e liderança, bem como na pacificação, edificação da paz, na reconstrução e desenvolvimento pós-conflitos.
África e os seus parceiros estratégicos devem ser solidários com todos os esforços para silenciar o barulho incessante das armas e substituí-lo pelo zumbido pacífico dos estabelecimentos industriais e de manufacturação. Esse é o único caminho sustentável para o futuro pacífico e próspero da África.
Juntos somos bem sucedidos; divididos caímos.
Viva África!

*Embaixador do Quénia na República
de Angola e Decano do Grupo dos Embaixadores
Africanos em Angola

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia