Opinião

Ainda sobre a reforma da mentalidade humana

Carlos Calongo

Na semana passada ficou o compromisso de reflectirmos sobre a necessidade da reforma da mentalidade humana, do princípio de ser, o homem, o fundamental agente transformador da sociedade.

De ciência, a mente humana é definida como o centro de processamento de tudo que ocorre na sociedade enquanto espaço comum de interacção dos homens que, por natureza, devem pautar o seu exercício, sempre na perspectiva da promoção do bem comum, até por que, nos acompanha o sentido de sermos peregrinos na face da terra.
Por outras palavras, apraz-nos dizer que o bem ou mal, o errado ou certo, que ocorrem na vida singular e colectiva das pessoas são perfeitas manifestações da (ir)responsabilidade com que as pessoas encaram as tarefas a si atribuídas, sendo que o sentido de prestação de serviço (público ou privado) devia estar sempre presente, sem qualquer espécie de recompensa à margem do deontológico, ético e moralmente correcto.
Tomamos como indicador de partida o tempo muitas vezes mal aproveitado/gasto na resolução de um determinado assunto, sobretudo em serviços como os balcões de bancos, hospitais, unidades policiais, bomba de combustível, etc. etc. e nem sabemos se devem mesmo existir excepções à regra.
Ou seja, quanto mais demorar-se na implantação, de forma estruturada, de um processo de reforma da mentalidade humana, sobretudo dos prestadores de serviços, de maneira desnecessária continuaremos a perder muito tempo e, por esta via, anular o sentido valoroso e irreversível deste recurso ao dispor do homem.
No capítulo da banca, o Banco de Poupança e Crédito, vulgo BPC, representa quase a perfeição do mau serviço que a ninguém se recomenda, sobretudo pelo modo de proceder de grande parte dos seus funcionários, que parecem interiorizar a cultura de estarem a prestar algum favor aos clientes, que no fundo são a razão da manutenção dos seus postos de serviço e concomitantemente o salário e demais regalias.
Convenhamos que, na maior parte, senão todas as vezes, os erros verificados reflectem o cumprimento de uma (má) orientação, sobretudo dos gerentes, que na expressão de algum sentimento de superioridade e desprezo pelo valor do “cliente”, exalam o aroma da sua despreparação para o exercício da função, cargo ou missão.
Será que tais agentes laborais não sabem que do ponto de vista cultural, social e antropológico, o homem foi ensinado que o erro está directamente associado ao fracasso, pensamento que se estende ao longo de gerações e que reforça o enunciado de que o errar por arrogância ou vaidade é sinónimo de incompetência?
Assumido como certo o que acima se lê, não é menos certo, que uma das principais chaves para se aprender, crescer e conseguir êxito na vida é o exercício de encarar o erro como uma acção circunstancial e involuntária.
Para lá da constatação de ser uma realidade do nosso mosaico social, advogamos a reformatação da mentalidade humana, em parte, com base na teoria da professora Marina Trindade, directora geral do Instituto Zero, instituição brasileira vocacionada ao ensino da transformação de mentalidades.
A referida professora defende que todo o mundo é capaz de evoluir, desde que haja a intenção de mudar, sendo para tal necessário iniciar uma reflexão interna, que nos leva a entender o erro como uma ferramenta de aprendizado, e não a sua manutenção com o sentimento de superioridade humana.
Para o valor em que nos remete a presente reflexão, ignorar a necessidade de reformatar a mentalidade humana é um princípio basilar para realizarmos, com sucesso, uma caminhada marcada pelo fracasso profissional, retrocesso na carreira e todos os demais factores de não evolução, com pendor de comprometer até as boas acções do Estado e suas instituições.
Por fim, faz sentido afirmar que a forma ideal para fugir da mentalidade formatada no erro é trabalhar com a própria mentalidade para saber descortinar as acções por nós desenvolvidas, que tornam-se alvo de contestação maciça que em nada contribuem para o desenvolvimento almejado.

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