Opinião

Angola combina liderança, planeamento e consciência colectiva face à Covid-19

Eduardo Magalhães |*

Quando no último dia de 2019 o mundo entrava em alerta para enfrentar o novo coronavírus, apontado como de alta taxa de contágio, morbilidade e mortalidade, Angola dava um importante passo para impedir que a pandemia ganhasse proporções incontroláveis.

Ciente daquela ameaça, prontamente foram dados passos para a criação e entrada em cena da Comissão Multissectorial para a Prevenção e Combate à Covid-19.
Num contexto em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou os países da África Subsaariana como sendo de alto risco pela fragilidade dos seus Sistemas de Saúde, Angola foi capaz de definir um plano com o objectivo geral de reduzir ao mínimo o risco de introdução e propagação da Covid-19. Para além disso, o impacto negativo de uma pandemia na saúde da população e na esfera económica e social do país foram vistos como inseparáveis, um diferencial de equilíbrio que foi decisivo para os êxitos alcançados até aqui.
A actual governação soube dar como prioridade a vida do povo que governa. A preocupação com a economia também foi planificada para evitar que a necessidade de retomar a agenda de normalidade não estivesse acima da preservação das vidas. Por isso, um plano altamente responsável passou a ser implementado de forma coordenada com o envolvimento de todos os sectores do Executivo, ressaltando o apoio do sector privado e da sociedade civil.
Hospitais e outras unidades de saúde foram inaugurados, reformados ou apetrechados. Para além disso, devemos destacar a valorização dos profissionais envolvidos nas operações consideradas de “linha da frente” e a contratação oportuna dos profissionais de saúde cubanos e de insumos indispensáveis para a prevenção e tratamento da Covid-19. O papel que a Comunicação Social pública e privada tem levado a cabo, na veiculação de mensagens educativas e informativas pontuais através das transmissões diárias oficiais da Comissão Multissectorial de Prevenção e Combate à Covid-19, para actualização da população sobre e evolução da pandemia no país, merece igual destaque.
Angola não esperou para saber o que outros países fariam para seguir modelos. O alerta mundial emitido pela OMS foi suficientemente forte para que o nosso país desse mostras de que o diálogo entre governantes e sociedade é o único caminho para casos extremos como este. Por isso, imediatamente reforçou a Vigilância Epidemiológica e Sanitária (rastreamento térmico, higienização das mãos, uso de equipamentos de biossegurança, promoção do distanciamento social e avaliação de voos de riscos) a nível de todos os pontos de entrada.
A tentativa de, através de fake news, politizar algo visivelmente científico e estratégico foi sufocada pelos resultados positivos conquistados em solo angolano, em contraste com as notícias de morte e desespero vindas de outras paragens. Um relatório do Executivo destaca que “No dia 4 de Fevereiro, começou a funcionar a quarentena institucional para todos os indivíduos provenientes de países com circulação comunitária do vírus e com restrição inicial de passageiros de países mais críticos. Com esta medida, associada por vezes à quarentena domiciliar, foi possível rastrear e diagnosticar muitos dos casos positivos da Covid-19.”
O papel das Forças de Defesa e Segurança foi exemplar. Um ou outro equívoco em hipótese alguma pode manchar a maneira segura como a população foi orientada e o uso da força, em determinados momentos, confirma a necessidade de encarar a pandemia como uma ameaça à vida dos cidadãos. Ainda que a comunicação social evite falar em “guerra contra inimigo invisível”, estamos mesmo a falar sobre uma guerra. A disciplina é muito importante quando estamos diante de uma situação assim.
Como não poderia deixar de ser, o povo angolano está a responder de maneira madura e disciplinada ao momento que estamos a viver. Soube compreender que os esforços do Executivo nos salvariam a todos. Por isso, até aqui estamos a testemunhar um exemplo positivo da participação da sociedade na busca de soluções que possam minimizar o impacto da pandemia nas nossas vidas. É preciso manter esta filosofia e consciência, pois o exemplo individual está a contribuir para o êxito colectivo. A confiança nas instituições fará o nosso povo e país melhores e mais fortes.
Como tudo que é bem planeado, de acordo com as orientações do Presidente da República, a Comissão Multissectorial vai agir em conformidade com a situação epidemiológica, para poder aplicar um Plano de Desconfinamento gradual de acordo com a evolução identificada. Sabemos que a Covid-19 não tem tratamento específico nem vacina. Por isso, devemos todos manter o foco e espírito de responsabilidade acima de interesses menores. Nada é mais importante do que o bem vida.

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