Opinião

Banalização do telemóvel

Luciano Rocha

O uso indevido do telemóvel, não é novo, já foi referido neste e noutros espaços do Jornal de Angola, mas, pelos perigos que representa, vale a pena voltar a ele.

O telemóvel entrou, de tal modo no nosso quotidiano que se o perdemos ou nos esquecemos dele, transtorna-nos a vida, ao ponto de voltarmos a casa, para o ir buscar ou, até, comprar outro. Isto, apesar de fazer parte, há relativamente pouco tempo, dos nossos hábitos. Ainda não há muitos anos, não nos fazia falta alguma, vivíamos à mesma e não deixávamos de comunicar, nem que fosse com recurso a telefones públicos, de um bar ou por recado. Isto, quando nos encontrávamos na mesma cidade, como Luanda, por exemplo, mas se a distância era maior havia a carta e, quando a urgência era maior, o telegrama.

Se naquele tempo houvesse o telemóvel, de certeza que Viriato não teria descrito o drama do Benjamim que enviou à amada o cartão tipografado pelo “Maninho da Minerva”, com a frase “por si meu coração sofre”. Mandava-lhe um sms e ela não tinha o trabalho de ter de dobrar o canto a dizer “não”.
Mas isso eram tempos de outros tempos. Agora, o telefone é usado a torto e a direito. Até na rua, com revelações públicas de sentimentos outrora privados. Pior, todavia, é que quem o usa nestas circunstâncias, está a pôr em risco a própria vida e a arranjar trabalhos ao automobilista a quem, do nada, aparece à frente.

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