Opinião

Boas Festas

Adebayo Vunge | *

Estamos já a viver o período natalício e, é mister desejarmos a todos os angolanos e angolanas, independentemente da sua condição social, raça ou etnia, votos de boas festas.

Certamente não estamos a viver a quadra festiva que desejaríamos, mas acreditamos que esta é uma fase importante para fortalecermos a unidade no seio das famílias, para promovermos a reconciliação e propagarmos a mensagem do perdão ali onde existir mágoa.
No fundo, este período da quadra festiva obriga-nos a promover a alegria e a boa disposição, deixando de parte as maleitas e as dificuldades que o nosso quotidiano ainda nos impõe. Mas é muito difícil agirmos como a avestruz. Por isso, temos mesmo de apontar a urgência de resolvermos problemas como a falta de água e luz, as terríveis condições de mobilidade, a falta de qualidade do sistema de saúde, as crianças fora do sistema escolar, os lares sem pão para a mesa ou sem um brinquedo para conhecermos o sorriso dos seus petizes. Que a quadra natalícia fortaleça em nós o amor ao próximo e a melhoria do bem comum, com elevado sentido patriótico em todos nós.
Estamos a viver um período de quadra festiva onde os supermercados estão abonados de produtos, mas nem sempre acessíveis para a maioria dos trabalhadores cujo ordenado não os permite grandes despesas. E tudo isso quando todos temos também noção de que Janeiro é um mês longo e em que se agudizam as dificuldades em muitas famílias. Já é popular a expressão – Janeiro, mês de fome.
O cabaz alimentar que já inundou o nosso imaginário colectivo como prova de um certo status deixou de ser um dos ícones da nossa quadra festiva. Deixamos de ver circular as carrinhas carregadas ou os supermercados apinhados de gente ávida em deixar até o ultimo cêntimo do pouco que lhe resta na sua conta bancária, quando esta existe. Sei que o cabaz continua a ser um elemento importante na cultura natalícia de alguns países com destaque para a Espanha. Mas ali, não por culpa da realeza, o cabaz é repleto das suas iguarias locais – queijos, charcutaria, vinhos e outras pequenas lembranças. Aqui, alguém se lembrou de encher-nos o cabaz com champagnes de alta gama como Dom Perignon ou Cristal, dentro de malas registadas com selo da alta-gama, sem que o mais básico estivesse assegurado.
De facto, não restam dúvidas sobre o quanto estávamos num caminho errático, como se lê no título de Kundera, era a “insustentável leveza do ser”. E não sem fundamento ele afirma: “Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está a nossa vida, e mais ela é real e verdadeira. Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi-real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes. Então, o que escolher? O peso ou a leveza?” Ficamo-nos pelo peso. O peso da acção contra um certo imobilismo que nos entranhou nos últimos meses, quiçá anos.
Nesta última crónica de 2017, no fim de mais um ciclo da translação, é hora de fazermos os nossos balanços individuais, familiares, profissionais, de sociedade e também de país. Não podemos estar indiferentes ao que nos aconteceu em 2017. O país entrou de facto num novo ciclo do ponto de vista político. João Lourenço substituiu José Eduardo dos Santos na presidência da República. Este é o evento do ano. Trabalhemos com ele, com cidadania, civismo e patriotismo, para que o país volte a conhecer dias melhores para todos. E para finalizar, espero que todos tenham tido um natal, inclusive aqueles que se encontravam no leito do hospital, detido numa qualquer prisão ou aqueles que se dedicam ao sacerdócio. Boas festas a todos e que 2018 seja incomparavelmente melhor.
(*) Jornalista e director do GCII do Ministério das Finanças
Assina todas as terças-feiras no Jornal de Angola e a sua opinião não vincula o Ministério das Finanças.

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