Opinião

Brincadeira de mau gosto

José de Matias

Desenganem-se os membros directivos da Federação Angolana de Futebol se pensam que geriram com inteligência e diplomacia a “crise” com o técnico sérvio Srdjan Vaseljevic. Antes pelo contrário, jogaram rasteiro e trouxeram à superfície tudo aquilo que procuraram esconder do grande público: a falta de honradez de compromissos, a desordem administrativa e alguma arrogância de permeio.

O “desenlace matrimonial” com o ex-seleccionador nacional, só ao mais incauto terá apanhado de surpresa. De resto, já era previsto. Se calhar, mesmo antes da partida para o estágio pré-competitivo que antecedeu o CAN’2019, em Portugal. Entre FAF e Vasiljevic o clima já era de cortar à faca. O técnico o denunciava, mas a FAF fazia entender, na sua matreirice e casmurrice, que estava tudo bem.
A situação agudizou-se em Portugal, de onde Artur de Almeida e Vasiljevic saíram para o Egipto como bons inimigos de estimação. Postos no cenário da maior cimeira do futebol africano, sequer tiveram tacto para camuflar a situação, nem que fosse apenas naquele momento, numa espécie de armistício, à exemplo de exércitos belicistas nas grandes guerras que marcaram a humanidade. E tal comportamento acabou reflectido, negativamente, no desempenho da selecção.
Foi o cortejo de situações, que resultam agora na rescisão de contrato com Vasiljevic, que penalizaram os Palancas Negras, no Egipto. O clima era tão mau, que dificilmente proporcionaria uma boa campanha à equipa. Quando a imprensa presente tentou, com fontes bem situadas, denunciar as coisas, para a correcção que se impunha, não foi poupada, acusando inclusive algum dos seus membros de anti-patriota, ou apenas titular do BI angolano sem que o fosse.
Se tivesse havido bom clima na selecção teria o seleccionador recusado orientar a equipa na eliminatória com eSwatini? Se tivesse havido bom clima teriam as comadres se zangado? É certo que o comunicado oficial aponta para uma rescisão amigável. Mas esta é "conversa para boi dormir". Venham com outra cantiga que eu não entro nesta ladainha.
Tudo que agora está a acontecer, como é, por exemplo, a contratação de Pedro Gonçalves, já era do nosso domínio desde o Egipto. Portanto, vistas as coisas numa perspectiva mais realística, foi a própria FAF quem derrotou os Palancas no CAN, frustrando as expectativas de todo um país. Este é também um caso de que a PGR se devia ocupar...

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