Opinião

Casos horripilantes em 2017 e a entrada do novo ano

Manuel Correia

Os últimos dias do ano de 2017 e os primeiros de 2018 foram férteis em casos de arrepiar os cabelos e de bradar aos céus.
Através de alguns veículos de comunicação públicos e privados, incluindo as redes sociais, chegaram ao conhecimento de milhares de angolanos,  actos criminosos horripilantes tais como raptos e assassinatos, os mais mediáticos dos quais foram os da mãe que matou o próprio filho à facada tendo-lhe depois cortado a língua e os membros superiores e inferiores; do assassinato de três jovens raparigas a quem foram cortadas as cabeças, após a sua morte.

O tal  caso conhecido como “corta cabeças”, que ocorreu na capital do Cuando Cubango, onde o jovem homicida, que já conheceu sentença, teve o desplante de conviver com duas cabeças das  vítimas no seu quarto durante algum tempo, se calhar meses, até ser detido pelas autoridades.
Outro caso que deixou pasmados todos os angolanos com o mínimo de racionalidade, de sentimento, de sensibilidade humana e amor ao próximo e que também abalou a todos no declinar do ano findo foi o de dois pastores de uma denominada igreja Pentecostal Shalom que, a troco de 350 mil kwanzas, prometeram fazer “ressuscitar” uma cidadã falecida por doença na cidade de Benguela. Que absurdo! O mais inexplicável ainda e difícil de entender foi o facto de três irmãos da vítima, todos maiores de idade e provavelmente no seu perfeito juízo, terem sido convencidos pelos impostores de que a ressurreição seria possível por via de orações  e outros rituais que os tais “pastores” se predispuseram a fazer.
 Para conseguir-se os valores solicitados pelos ditos-cujos, os infelizes tiveram de vender bens materiais como electro-domésticos e outros, mas ao cabo de sete dias com o cadáver dentro de casa, a “promessa” dos pastores não se concretizou. O insólito só foi descoberto depois de os vizinhos terem começado a sentir um cheiro nauseabundo que partia da referida residência. Accionaram as autoridades policiais e os cinco indivíduos (os pastores e os irmãos da vítima foram detidos).
Agora, resta às autoridades judiciais fazerem a sua parte e, caso se apure a veracidade dos factos, punirem exemplarmente os infractores (de acordo com o grau de culpabilidade e envolvimento no crime de cada um), de modo a desencorajar-se a repetição de actos dessa natureza.
Meu Deus! Até onde vai o fanatismo religioso de algumas pessoas, ao ponto de acreditarem que a sua ente-querida podia  voltar a viver, dias depois de ter morrido! Isto leva-nos a reflectir e a estarmos atentos em relação a determinadas práticas e rituais, de algumas seitas ou pseudo-religiões, muitas vezes interpretando errada e propositadamente o que vem escrito na Bíblia, para enganarem os incautos, que na maioria dos casos são pessoas carentes e sofridas, que vão à procura de cura, de estabilidade emocional, social e financeira.
Outro caso muito chocante que abalou a sociedade luandense, em particular e todos os angolanos que tiveram acesso às imagens por via das redes sociais , ou tomaram conhecimento através dos noticiários televisivos, radiofónicos e da imprensa (escrita), esteve relacionado com o atropelamento mortal, em circunstâncias estranhas, de um jovem de 24 anos de idade às primeiras horas do novo ano de 2018.
Tratou-se de um jovem bolseiro finalista nos Estados Unidos da América, que só tinha vindo a Angola para comemorar a quadra festiva com familiares e amigos, para depois regressar a Houston para a conclusão da sua licenciatura. A família e o país perdem, assim, de forma banal e trágica um potencial quadro que tinha muito a dar para o desenvolvimento do país. Faço votos para que o outro irmão que também foi colhido pela mesma viatura no mesmo instante, recupere rapidamente dos ferimentos que sofreu.
Mais um caso que está entregue às autoridades judiciais para que se dê o desfecho que se impõe, de acordo com a Lei.

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