Opinião

Chuvas e musseques

Luciano Rocha

As últimas chuvas acentuaram, uma vez mais, as mazelas de Luanda, o desleixo de quem a despreza, apesar de terem a obrigação de fazerem exactamente o contrário.

As chuvas de Luanda, que continuam a cair em tempo próprio e, por isso, não são inesperadas, trazem, invariavelmente, com elas dramas anunciados, feitos de águas que entram nas casas, devastam artérias, derrubam árvores, muros, atolam viaturas, enfim, tudo o que lhe pode incomodar a viagem e, pior do que tudo, também ceifa vidas humanas,
As maiores vitimas das chuvas são, principalmente, como é óbvio, os moradores dos musseques desenhados com toscas imitações de casas feitas de tudo, caminhos que deviam ser ruas transformados, há décadas, em “paraísos de mosquitos e onde saneamento básico é algo estranho, que não faz parte do vocabulário quotidiano.
Os musseques de Luanda, chova, faça sol, frio ou calor, são assim, retratos permanentes de atentados à vida humana, vergonha de um país que se quer moderno, mas, igualmente, solidário. Logo, sem desigualdades tão abismais como as que dividem as zonas, onde vivem os que têm a obrigação de cuidar deles, tornando-os locais dignos, e os que são forçados a habitá-los por haver quem os ignore, tenha coisas “mais importantes para ocupar o tempo”.
Os musseques de Luanda são assim, onde decentes são apenas as pessoas, os que os haitam.

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