Opinião

Corrigir os números errados

Carlos Gomes |*

Número é um conceito matemático para representação de medida, ordem ou quantidade, podendo também simbolizar força, coragem, atitude e determinação. Os números pelo seu simbolismo podem produzir reacções de diversa ordem perante contextos que nos sejam desfavoráveis, até mesmo pânico na iminência de um quadro de incertezas.

É do quadro de incertezas que pretendo partilhar a necessidade da correcção dos números errados, circunscritos ao contexto macroeconómico que nos envolve, pois, criam diferentes sensações, pelas mensagens de perigo (real ou iminente) que transmitem e os efeitos sintomáticos experimentados por cada um de nós (os muitos que somos) ao nos serem desfavoráveis, em contraposição a outros poucos, pouquíssimos mesmo, que por muitos, mas muitos anos, conviveram com números de prosperidade e ostentação desmesurada, restando-nos agora colher os frutos amargos da sementeira envenenada.
Os números errados que devem ser corrigidos embora por muito tempo reprimidos, escamoteados ou guardados em segredo "a sete chaves”, hoje num novo contexto de maior abertura, transparência, gestão inclusiva e participativa da coisa pública em que se aplaude o debitar de opiniões dos diversos segmentos do saber,  requer o seu total domínio, pelo efeito explosão que produzem, justificando, assim, o estado “doentio” em que se encontra a nossas economia, com antídoto já identificado (aplicação da Lei), a ministrar à escala gradativa com efeitos a fazerem-se sentir tanto dentro como fora do país.
O país foi brindado pelo Presidente da República, durante o discurso sobre o estado da Nação, no passado dia 15 de Outubro, com um conjunto de números que, pela sua relevância, merecem a nossa ponderação, impondo-se a sua correcção imediata, como bem enfatizou o Chefe do Executivo e que oportunamente o PDN 2018-2022 elencou:
i) dívida externa 70 mil milhões de dólares; ii) inflação 42% em 2017; iii) diferença cambial entre o mercado informal e formal à data de Janeiro de 2018 150%; iv) pobreza 36%; v) redução das RIL – Reservas Internacionais Líquidas 4 mil milhões de dólares em Agosto de 2017 em decorrência da má gestão dos recursos financeiros e capital humano, tendo estado na base da saturação de todas as fontes de financiamento, tanto internas como externas; vi) eclipse total de dólares no sistema financeiro; vii) biliões de dólares em paraísos fiscais; viii) perdas astronómicas de receitas dos diamantes em prejuízo do Estado, na ordem de 45%; ix) importação de produtos refinados do petróleo sob controlo de um cartel de complexas conexões, com benefícios bilionários em prejuízo do Estado,  não tendo “permitido” inclusive a construção de uma só refinaria – o que constituiria uma “ameaça” aos seus interesses egocêntricos....!!!
Corrigir os números errados com coragem, atitude e determinação (que já constam do léxico da nova convivência em sociedade), passa pela combinação de dois factores: i) oxigenação das mentes, e ii) responsabilização individual permanente de todos os que, consciente e voluntariamente, aceitaram e vierem a aceitar, sob juramento, a responsabilidades de gerir com parcimónia os bens públicos que a todos pertencem. Embora a tarefa a priori se afigure difícil, pelo risco potencial de alguns tropeçarem ao longo do percurso, é porém imperiosa, pois está em causa a sobrevivência do Estado e da Nação angolana.
* Economista

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