Opinião

Corrupção: 2017 o ano de corte

Isaquiel Cori

A quadra festiva entre o Natal e o Ano Novo é um período que deve ser reservado à mais profunda reflexão, de modo a ser o mais produtiva possível, sobre o ano que ora termina e o que pretendemos concretizar no próximo. Quase tudo gira basicamente à volta da família e da consistência das relações humanas que fomos tecendo ao longo não só do ano mas da vida inteira.

Que ano novo queremos para nós e para os outros? E para o país? E para o mundo, já que somos tão somente parte dessa realidade mais vasta, múltipla e diversa, mas una e interpendente, que se chama humanidade?
2017 foi um ano de duros reveses, com pessoas queridas a partirem inesperadamente para a morte e a deixarem um vazio impossível de preencher, restando-nos apenas o consolo da memória, que se vai adensando ou dissipando com o correr do tempo.
Os reveses económicos e financeiros do país reflectem-se, e de que maneira, na vida pessoal, num somatório de metas inalcançadas e de impossíveis antes possíveis que condicionam,brutal ou imperceptivelmente,consoante a sensibilidade, a conduta pessoal.
É bom, muito bom, quando o cidadão não fica apenas entregue a si, quando todo um contexto político, que afinal acaba por comandar todas as outras dimensões da vida do país, aponta para mudanças paradigmáticas, claramente susceptíveis de contribuir para o bem comum.Essa perspectiva alimenta a esperança e reforça a crença de que apesar da dureza dos dias de hoje o amanhã pode e vai ser melhor. Mas os males, objectivamente, estão aí e precisam ser enfrentados e extirpados. Eles não desaparecem por si só, pela mera esperança ou pela crença mais empedernida. A batalha contra os males já identificados tanto pelo Presidente da República como pelo seu partido, o MPLA, exigirá actos concretos e corajosos. Sobretudo porque apesar de haver precedentes na história de outros países, cujos exemplos já terão sido devidamente estudados, entre nós é todo um campo que deverá ser continuamente desbravado.
A corrupção que desvia as verbas para a aquisição de medicamentos, que falseia as obras públicas para proveito próprio, que se acapara do erário, que preenche as vagas nos serviços e nas empresas públicas com familiares e amigos, em detrimento do mérito de desconhecidos, enfim, todo o tipo de corrupção, leva à pobreza da maioria da população e à morte de muitos.
Os sinais claros de enfrentamento do mal (com razão também chamada “cancro social”), oriundos do núcleo duro do poder político, sob o comando do Presidente da República, são de encorajar e devem merecer a nossa total adesão. Aqui, a máxima brasileira “Cortar na própria carne” é chamada para ilustrar o quadro em que todo um sistema político-governativo se pretende regenerar de um mal causado por si próprio ao longo de anos e anos, sob o risco final de implodir a si próprio, arrastando na hecatombe o país.
O próximo ano, já foi anunciado, será o de corte no combate à corrupção. Haverá um antes e um depois. O próximo ano, era de todo excusado dizer, começa já na próxima segunda-feira. Se tivéssemos que reencarnar a prática, que durou décadas, de estabelecer um lema para cada ano, 2018 seria nomeado, em todas as tabelas de probabilidade, como o do Combate à Corrupção. E 2017, já retrospectivamente, seria o da identificação da besta em causa como o mal maior.
No futuro, o ano de 2017 vai ser um dos mais instigantes para serem estudados por toda a sorte de angolanófilos espalhados pelo mundo. Raramente, na história de qualquer país, um ano se apresenta tão claramente como sendo de fronteira, de ruptura com práticas políticas, sociais e económicas bem frescas na memória de todos mas,  ao tempo, tão obsoletas e merecedoras de repúdio quase unânime.

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia