Opinião

Corte vertical - VIH/Sida continua a ser um desafio a superar

Eduardo Magalhães |*

Ao expandir o serviço de corte vertical em todo o país, o Executivo dá mostras claras de que está a agir preventivamente para proteger os recém-nascidos. A transmissão vertical constitui, indubitavelmente, a mais destacada fonte de infecção do VIH/Sida nas crianças, o que representa um percentual equivalente a 65 por cento dos casos ocorridos durante o trabalho de parto; o período intraútero e o aleitamento materno respondem pelos 35 por cento restantes. O actual percentual de transmissão vertical do VIH/Sida, quando não há a prevenção, atinge aproximadamente 20 por cento das crianças.

Sabemos que o VIH/Sida fez emergir uma infinidade de questões que envolvem a saúde, mas também atinge directamente as famílias, os amigos, os vizinhos, a sociedade e os gestores. Em Angola, segundo a estimativa de dados estatísticos de 2015 e 2016, 310 mil pessoas podem estar a viver com VIH/Sida, número que consuma a prevalência actual de dois por cento, segundo o Ministério da Saúde. A expectativa da actual governação de expandir o serviço de corte vertical em todo o país está directamente relacionada com a consolidação do Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM).
A partir do Bié, a ministra da Saúde deu nota à imprensa, que o Governo tem como meta expandir os serviços de corte vertical, para evitar o contágio do vírus do VIH/Sida da mãe para o bebé, em todas as unidades hospitalares do país. O sucesso da campanha “Nascer Livre para Brilhar”, de Dezembro de 2018, lançada no Moxico, longe de passar a ser referência única, assume o estatuto de agente multiplicador para que os números registados, até aqui, possam ser melhorados. Melhorar a qualidade dos cuidados pediátricos até 2021 também é um dos desafios previstos nas metas provinciais e nacional.
Neste contexto, intensificar a comunicação entre as pessoas é uma necessidade incontornável. Somente através da informação preventiva será possível abolir o preconceito e a discriminação. O tratamento com anti-retrovirais que, até Dezembro de 2018, registava cerca de 75 mil pessoas, é importante, pois a saúde como um bem comum, necessária e tratada como um direito, é um estado de completo bem-estar físico e mental e não a mera ausência de doenças ou enfermidades. Quantificar e mapear os focos de predominância da infecção também ganha importância e o fornecimento regular de testes rápidos é muito útil para isso.
Como sabemos, o combate ao contágio pelo VIH/Sida é uma luta de todos nós, pois atinge a todos de maneira directa ou indirecta. Da mesma forma, a certeza do cidadão de que é ou não portador do vírus está no leque de acções políticas do Executivo para este tema. Merece igual apoio e envolvimento de toda a sociedade civil a política de disponibilizar e facilitar o acesso de mais medicamentos nas unidades sanitárias, juntamente com a realização de campanhas de sensibilização e mobilização para incentivar os cidadãos a fazerem testes voluntários. O engajamento das mulheres, em especial, deve ser estimulado também por ONG e empresas públicas e privadas.
O uso abundante do preservativo continua a ser recomendado como a mais eficiente prevenção à exposição ao vírus. Por isso, esta recomendação deve ser acessível a todos, pois reside na prevenção a mais importante etapa do investimento no combate ao contágio pelo VIH/Sida. No Plano Operacional da Prevenção de Transmissão do VIH da mãe para o filho 2019-2021, os jovens entre 15 a 24 anos são informados e terão acesso sobre a utilização do preservativo. O trabalho de prevenção deve ser tão intenso quanto a dedicação para oferecer tratamento aos portadores do vírus e o trabalho no corte vertical. É um conjunto de esforços que exige muito investimento.
Lançada pela Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, a campanha “Nascer Livre para Brilhar” tem uma meta de redução da taxa de transmissão do VIH, da mãe para o filho, de 26 por cento (em 2019) para 14 até 2021. Todos os novos esforços anunciados são convergentes e complementares às estratégias do Instituto Nacional de Luta Contra a Sida.
As metas e compromissos globais assumidos pelo país no corte vertical impõem, em qualquer nível local da gestação, a organização da rede assistencial, inclusive com a oferta de serviços para que seja evitada a perda de seguimento ou a demora nas tomadas de decisão quanto à terapêutica ou profilaxia, o que põe em risco o sucesso da prevenção da infecção fetal. A assistência no pré-natal deve ser de excelência no que diz respeito a atenção multidisciplinar, discreta e com profissionais de todos os níveis preparados para o acolhimento indiscriminado e sem preconceitos de gestantes portadoras do vírus.
O empenho e familiarização de profissionais da saúde com as recomendações e normas de assistência aplicada desde o diagnóstico, mas também no tratamento do VIH/Sida, passam por todas as etapas: exames, drogas antirretrovirais, esquemas combinados, exames de carga viral e contagem CD4, indicação adequada da via de parto, etc., o que irá exigir a melhoria nas condições instaladas e recursos humanos dos laboratórios para que, em tempo hábil, possam apresentar os resultados antes do parto. Esta prevenção evitará a indisponibilidade de uma contagem de carga viral que deve ser feita durante todo o processo assistencial. Que os desafios sejam superados.

* Director Nacional de Comunicação Institucional. A sua opinião não engaja o MCS

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