Opinião

Culpar a Internet pelos nossos pecados

Santos Vilola

As redes sociais, Facebook, Whatsapp, Instagram, Snapchat, etc. traduzem hoje sim o impacto que a Internet pode ter na vida de cada cidadão comum. Nunca o conceito de "Aldeia global" foi tão compreendido como nesta última década. E quase tudo graças à proliferação das redes sociais.

Governos, instituições, pessoas, colectivas e singulares, grupos sociais, etc. encontram nas redes sociais o espaço que não têm nos Media convencionais. Até o Papa Francisco está nas redes sociais e convive muito bem com as críticas.
Tal como tudo na vida real, a Media social (redes sociais) na Internet criou grupos e extractos sociais, com separação visível de interesses. Há grupos de miúdos para farras e pandemónios, grupo de estudantes e intelectuais, grupos de políticos, de religiosos, de famosos... O poder das redes sociais hoje é real.
Infelizmente, ainda na sua génese, houve resistência de uma certa geração - a mesma que duvidou do poder dos computadores - que ignorou e marginalizou a revolução que estava a ser preparada através desta ferramenta. Esta geração até aprendeu a ligar o computador, escolher um programa para operar, mas não passou disso.
Preferiu a cega fidelidade das coisas físicas. Há quem prefira ainda que certo documento seja impresso para poder ler. Uns nem um correio electrónico têm, outros têm, mas criaram apenas por causa da pressão de amigos e da dinâmica do trabalho diário. Paradoxalmente, a mesma dinâmica que negam quando o assunto é a nova realidade na Internet: redes sociais.
Estou confortável em afirmar que quando esta geração percebeu, tarde, a velocidade que o mundo virtual impõe, decidiu então entrar na vã luta pela desvalorização do que se faz e se pensa nas redes sociais, diabolizando tudo sem admitir uma má preparação para os tempos modernos nem os erros domésticos. Isso só é comparável à tentativa de abrir a porta pelo lado contrário. Não funciona.
Não confiem nestes "cépticos" a tarefa de encarar os desafios dos tempos modernos. São capazes de associar à guerra em Angola ou à morte de Kennedy o avanço das redes sociais.
A culpa é das revoluções políticas e religiosas que tiveram o começo nas redes sociais a Media preferida para a sua propaganda, sobretudo na fase das "primaveras" e do radicalismo islâmico.  O governo da Turquia, apertado com as manifestações alegadamente incitadas por um líder religioso radicado nos Estados Unidos, tentou proibir o Twitter, mas deu-se mal. Teve de voltar a abrir.
No Irão, até o líder religioso supremo usa as redes sociais, segundo Israel, para atacar o povo judeu, mas não faz das redes sociais o vilão nem o bode expiatório dos erros de comunicação e estratégia.
A China vai lutando contra a proibição das redes sociais ocidentais, mas sem certeza de que procede de forma correcta. Criou as suas redes sociais, como o WeChat, mas a tentação de abrir as redes sociais ocidentalizadas é maior. E a pressão é dos estrangeiros que visitam o país.
Isso é bom sim! É útil sim! Depende do que queremos (estratégia) para perceber a sua importância. É como a faca. Serve para cortar os alimentos à mesa ou na cozinha e para matar ou ferir uma pessoa. Depende da utilidade que damos.

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