Opinião

Desamor a Luanda

Luciano Rocha

Luanda, a cidade, tal como a província que lhe decalcou o nome, sofre de desamor não apenas de estranhos, mas, também, cada vez mais, de filhos que ela nasceu e daqueles que acolheu como tal.

 


Aquela amálgama de ingratidão, desprezo, insensibilidade, com origens diferentes, mas resultados iguais, que lhe dilaceram o corpo e a alma, com chagas, muitas das quais nunca sararam por serem constantemente atingidas, esgravatadas, tem culpados. Os que, pelas funções profissionais que ocupam em vários sectores, têm a obrigação de cuidar dela, mas, igualmente, de muitos de nós, dos que não são pagos para a defender dos devaneios de uma pequena burguesia impreparada, deseducada, vassala do dinheiro fácil.

Por todas aquelas razões e todos aqueles culpados, Luanda tem sido esquartejada, vendida a retalho para construções estapafúrdicas, como a de caixotes de vidro, sufocando-a, também quando lhe retiram ou maltratam órgãos capitais para a sobrevivência, como árvores e jardins, sufocam-na, quando cortam corredores naturais que a refrescavam, mesmo no pico do calor.

Luanda está doente e a cura, se ainda for possível, exige “tratamento de choque” que não dispensa medidas drásticas, com recurso ao camartelo, que pode ter papel moralizador. Ela, a cidade e a província que lhe decalcou o nome, merecem isso e muito mais. É uma forma de a ressarcir, minimamente, de tanto desprezo, ingratidão, delírios de novos ricos que não sabem ter dinheiro por não saberem como ganhá-lo a trabalhar.

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