Opinião

Dia Mundial de Combate à Desertificação

Oren Rozenblat | *

Nos últimos meses a situação do Sul de Angola mereceu muitos destaques na imprensa, fortemente motivada pela visita de Sua Excelência Presidente da República, acompanhado de outros membros do Governo, que constataram in loco os efeitos da seca nas províncias do Namibe e Cunene.

A seca no Sul de Angola não é uma excepção, muitos países sofrem com este mal, visto que vivemos numa era em que a desertificação atingiu índices altos um pouco por todo o mundo, facto que devemos reconhecer e buscar soluções científicas para combater. Grande parte do território de Israel é desértico, mas é o único país no mundo (numa zona desértica) que não sofre com a desertificação, muito pelo contrário, zonas que eram deserto, hoje tornaram-se terras férteis e Israel pretende partilhar a sua experiência com o resto do mundo, em especial, com Angola.
A desertificação é a degradação da terra em áreas sub-húmidas, áridas, semi-áridas e secas e é causada principalmente por actividades humanas e variações climáticas.
Pobreza, instabilidade política, desmatamento, pastoreio excessivo e as más práticas de irrigação podem prejudicar a produtividade da terra. Mais de 250 milhões de pessoas são directamente afectadas pela desertificação e cerca de um bilião de pessoas em mais de cem países estão em risco. Essas pessoas incluem muitos dos cidadãos mais pobres e politicamente fracos do mundo.
O Dia Mundial de Combate à Desertificação é observado a 17 de Junho para promover a consciencialização dos esforços internacionais para combater a desertificação e lembrar que a Neutralização da Degradação da Terra (NDT) é alcançável através da resolução de problemas, envolvimento e cooperação a todos os níveis.
Este ano, o Dia Mundial de Combate à Desertificação será celebrado sob o tema dos 25 anos de implementação da Convenção de Combate à Desertificação e além disso, focar-se no caminho que a Convenção adoptou e no futuro que a Convenção poderá trazer. A convenção foi adoptada em 1994 e hoje os 197 países estão a implementar formas de proteger a terra da seca para que possamos continuar a desfrutar da comida, água e energia que esta nos fornece. A recuperação e restauração de paisagens degradadas tem sido evidente nos últimos 25 anos. Por exemplo, mais de cinco milhões de hectares de terras degradadas no Sahel foram restaurados, uma prática conhecida como "regeneração natural controlada pelo agricultor", produzindo milhões de toneladas de grãos por ano.
A desertificação leva também à instabilidade política, como por exemplo, o surgimento do ISIS (também conhecido como Daesh, ISIL ou simplesmente Estado Islâmico), deveu-se fortemente aos efeitos da desertificação acentuada no Leste da Síria.
MASHAV , Agência Israelita para Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, afecto ao Ministério das Relações Exteriores de Israel, presta especial atenção às questões críticas dando assistência na luta contra a desertificação e seca, por meio da introdução de programas internacionais de capacitação, treinamento e projectos de pesquisa e desenvolvimento.
A abordagem do MASHAV é baseada na vasta experiência de Israel em enfrentar as duras condições climáticas, e combina a transferência de tecnologia adaptável, pesquisa e desenvolvimento e experiências "hands-on", provenientes dos principais especialistas e instituições israelitas. As áreas relevantes para combate à desertificação incluem, entre outras: agricultura no deserto, irrigação, dessalinização, aquicultura, florestação e gestão dos recursos hídricos.
Nos últimos anos, mais de 1.200 angolanos tiveram a oportunidade de participar de treinamentos do Mashav, através de bolsas atribuídas pela nossa missão diplomática, onde frequentaram cursos em vários ramos de actividade, como agricultura, educação, energias renováveis, àgua, meio ambiente, desenvolvimento sustentável, saúde, comunicação e outros.
Israel está actualmente activo nas áreas que enfrentam desertificação severa, especialmente nas áreas rurais de África Subsaariana e o Corno de África, incluindo Angola, dando especial ênfase à formação de pequenos agricultores em irrigação e agricultura no deserto, bem como, programas de combate à desertificação.
Angola enfrenta fortes desafios no combate à desertificação, porém, existe um caso de sucesso, no município do Tômbwa, no Namibe, onde existia risco do deserto cobrir a cidade e o Governo decidiu criar uma cortina florestal para travar o avanço do deserto, e esta é composta por cerca de 20.000 árvores plantadas numa extensão de oito KM, irrigadas por um sistema gota-a-gota. Sentimo-nos orgulhosos pelo facto deste projecto ter sido desenhado e implementado por uma companhia israelita e que mostra claramente que podemos combater a desertificação.
A província do Cunene é especial para Israel, a paisagem, o estilo de vida das suas populações são muito parecidos com os dos antepassados que habitaram o Sul de Israel, inclusive a forma como praticam a pastorícia, tal como o fizeram os famosos pastores e patriarcas: Abraão, Isaac, Jacob, Moisés e David. A média de chuva no Cunene é de 600ml por ano, o que é relativamente bom (equivalente à média de chuva na Cidade de Londres). Por exemplo, no Sul de Israel, a média é de 150ml de chuva mas a questão, assim como no Cunene, é que chove muito, por poucos dias, e depois vem logo a estação seca. Precisa-se usar, no Cunene, os mesmos métodos usados em Israel, que consistem em colectar a água na época chuvosa, armazenar em grandes reservatórios, evitando assim as inundações, e na estação seca, usar a água armazenada.
Temos plena certeza de que a experiência e tecnologia de Israel podem ser usadas para resolver problemas noutras regiões de Angola.

* Embaixador de Israel em Angola

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