Opinião

Dissiparam-se as dúvidas

Carlos Gomes | *

Definitivamente tudo está claro: o combate à corrupção, o amiguismo, nepotismo, branqueamento de capitais, combate ao terrorismo e outros comportamentos que podem comprometer o processo de mudanças em curso para reverter o quadro e a imagem pouco digna do “status quo” da economia angolana, está no centro das prioridades do MPLA e do Executivo, numa assumpção sem ambiguidades nem precedentes, feita tanto pelo Presidente do MPLA como pelo Presidente da República, durante a abertura e encerramento do seminário promovido pelo Grupo Parlamentar do partido vencedor das eleições gerais de 23 de Agosto.

A nação reencontra-se novamente e alinha na cruzada de combate a esse maldito flagelo que se chama corrupção, que mais do que procurar descobrir rostos, inclina-se no estancar imediato da “sangria” descontrolada de fuga de divisas para o exterior, advogando o repatriamento imediato de tais valores, cujo diagnóstico inicial,  segundo o Governador do BNA, aponta para cerca de 30 mil milhões de dólares que tanto necessitamos para a alavancagem económica contribuindo no aumento da oferta de bens, serviços, e emprego para a força de trabalho disponível, cuja taxa de desemprego aponta para mais de 24 por cento da faixa etária de até  aos 35 anos de idade.
Dissiparam-se as dúvidas porque, são factos indesmentíveis: a corrupção sem rosto, o nepotismo sem rosto, o descaminho de recursos e bens públicos sem rosto, a ostentação de riqueza sem rosto, os políticos e governantes empresários consigo mesmos – sem rosto, cuja moratória para os “sem rostos” que acaba de ser anunciada pelo Presidente da República João Lourenço pode  conhecer o seu fim gracioso já no primeiro trimestre do próximo ano, quiçá, com a definição prévia e aprovação em sede própria, do quadro normativo legal  (sempre necessário), para que a emenda não seja pior que o soneto.
A imperiosidade de combate à corrupção para a mobilização e moralização da sociedade em geral e da comunidade financeira interna e internacional, coloca-se como um imperativo nacional, sem o qual estaremos em presença de um exercício inócuo, ao pretender-se “encher” o balde da diversificação económica com a “peneira” da impunidade, que está na origem do péssimo ambiente de negócios que ostentamos, da má qualidade dos serviços públicos em áreas tão sensíveis como saúde, energia, água potável, saneamento básico, higiene ambiental etc.,  factores potenciadores da elevada taxa de mortalidade por malária – primeira causa de morte em Angola; dependência pelas importações de “commodities” ou produtos básicos em mais de 85 por cento; paralisação ou semiparalisação da indústria transformadora; diagnóstico de diagnósticos; recurso à justificações injustificáveis pela utilização indevida de recursos públicos avultados; eternidade no atendimento às solicitações dos cidadãos; distanciamento do servidor público ao cidadão; fraca interação do deputado com o eleitor; prática de negócios eivados de conflitos de interesses; não aplicação de legislação bastante sobre a matéria em causa.
O exercício de cargo público não pode e nem deve ser confundido com o “escalar” de montanha para o enriquecimento fácil e atroz em detrimento ou prejuízo da sociedade, mas o compromisso do dever sagrado de servir o país e o cidadão com responsabilidade patriótica.
Dissipadas que estão todas as dúvidas, para o surgimento e fortalecimento de uma classe média de matiz angolana, resta agora que cada cidadão, assuma e exerça sem receio o seu verdadeiro papel de agente da transformação económica, na cruzada feroz e prolongada, contra todos os males que se enraizaram por muito tempo, tendo causado enormes prejuízos ao país, pondo em risco a sobrevivência de milhares de angolanos, culminando com a desestruturação económica e paralisação do sector produtivo.

* Economista

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