Opinião

Egípcios à procura da velha glória faraónica

Na virada de um novo ano e no meio de um processo eleitoral, o Egipto sonha com o regresso aos velhos tempos da glória perdida quando os faraós eram reis e senhores de um invejável poder que os seus descendentes foram perdendo ao longo dos anos chegando ao ponto de o país ser hoje economicamente dependente do seu enorme potencial turístico.

Na virada de um novo ano e no meio de um processo eleitoral, o Egipto sonha com o regresso aos velhos tempos da glória perdida quando os faraós eram reis e senhores de um invejável poder que os seus descendentes foram perdendo ao longo dos anos chegando ao ponto de o país ser hoje economicamente dependente do seu enorme potencial turístico.
Outra preciosa ajuda para o conforto das receitas públicas resulta da sua privilegiada localização geográfica que lhe permite arrecadar uma considerável soma de dinheiro paga em jeito de portagem pelos petroleiros que cruzam o Canal do Suez provenientes dos países do Golfo Pérsico e Arábico.
Entre o sonho e a realidade vai sempre uma certa distância, muitas das vezes calculada ao sabor dos respectivos desejos.
Depois de ter realizado eleições legislativas, o Egipto prepara-se para em Setembro de 2011 eleger um presidente, que tudo indica será o actual: Hosni Mubarak ou, na mais distante das hipóteses, o seu filho Gamal Mubarak.
Se em relação à estabilidade política o Egipto pode ser considerado um exemplo para todo o Médio Oriente e mesmo para o Norte de África, já no que toca às perspectivas de desenvolvimento económico surgem contradições que encontram extremos nas posições optimistas do governo e as pessimistas que são expressas por diversas organizações internacionais especializadas na matéria, com o polémico Fundo Monetário Internacional (FMI) à cabeça.
Ao contrário do que vêm dizendo os economistas egípcios a grave grande económica internacional afectou substancialmente o país, sobretudo no que toca a um dos seus principais sectores: o turismo.
Não é necessário ser-se formado em finanças para se perceber que com a recessão sentida pelas companhias de aviação, em virtude da redução do número de bilhetes vendidos, menos turistas tenham visitado o Egipto em 2010, o que representa uma quebra na entrada de divisas, com tudo o que isso implica em todas as envolventes estruturais habitualmente utilizadas pelos estrangeiros. Quem está minimamente atento ao que se passa pelo mundo fora verifica que a crise, embora tenha diminuído de intensidade, ainda não passou totalmente com a Europa a ser um dos actuais epicentros das dúvidas que se colocam quanto ao que nos reservará os dois próximos anos.
Assim sendo, as previsões optimistas feitas pelo governo para o crescimento ecnonómico do país podem esbarrar naquilo que, neste momento, é a realidade de factos muito diferentes do que aqueles que estiveram na base das projecções feitas.
Para o relançamento da sua economia as autoridades egípcias apostam, fundamentalmente, no investimento estrangeiro, no turismo e nas exportações. O investimento estrangeiro e o turismo, diga-se de passagem, são duas alíenas que se confundem numa só.
Desde há muito que os principais investimentos estrangeiros no Egipto são canalizados para o sector do turismo, seja por via da construção de infra-estruturas seja pelo incentivo a projectos culturais colaterais destinados a servir, sobretudo, os forasteiros que encontram ofertas para todos os tipos de preço.
Em 2010 o Egipto foi o país árabe que económicamente mais cresceu, atingindo uma média de 5,5 por cento, seguido do Bahrein e de Marrocos que roçaram os 4 por cento, com a Jordânia a ser o que teve um pior desempenho com um crescimento de 3,5 por cento.
Esta perfomance egípcia como que encheu de brios levando a equipa económica do governo a apontar para um crescimento de 7 por cento para 2011 e de 8,8 para 2012, com o FMI a temperar entusiasmos e a apontar 5,5 para 2011 e 7 por cento para 2012.
De qualquer das formas, seja o governo mais ou menos optimista, acerte ou não nas suas previsões, a verdade dos números dizem que o país é o que melhor tem resistido à crise internacional, seja no Médio Oriente ou no Norte de África e, por via disso, aquele que melhores condições tem para emergir no tumultuado mundo das finanças mundiais.
Com uma produção petrolífera incapaz de satisfazer as necessidades internas impostas pelo consumdo (seja industrial ou não) o Egipto pode ser considerado um bom exemplo pelo modo como estrutura a sua capacitação formativa, tanto para quadros nacionais como estrangeiros, sendo o continente africano o principal beneficiário das capacidades de ensino que o país sempre faz questão em manter ao mais alto nível. Embora longe das capacidades económicas herdadas dos tempos antigos, o Egipto sempre fez questão em manter intactas as estruturas que fazem dele um país incontornável para a busca de uma qualquer solução, seja para que problema for que afecte o Médio Oriente e África.
Dando corpo a um velho ditado, bem se pode dizer que apesar de terem perdido os anéis, os dedos egípcios continuam a ter a capacidade de segurar firmemente as ferramentas necessárias para manter o país no selectivo “clube” daqueles que têm a capacidade única de desempenharem um permanente protagonismo internacional, seja no campo político ou económico.
Mesmo sem a espectacularidade ilustrativa dos tempos faraónicos, os egípcios continuam a saber ser dignos de um passado de glória enfrentando um presente com a determinação de construirem um futuro que os catapulte para patamares cada vez mais elevados.
Para já, conseguiram aliar a sua liderança política ao triunfo à frente do pelotão regional na corrida pelo crescimento económico, o que lhes permite expressar todo o optimismo necessário para manterem acesa a esperança do regresso aos velhos e inesquecíveis tempos de glória faraónica.

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia