Opinião

Eleições consagram o novo ciclo político

Filomeno Manaças | *

A maioria do eleitorado voltou a depositar, no passado dia 23, a sua confiança no MPLA e no seu candidato para continuarem a dirigir os destinos da nação angolana.

Os últimos resultados provisórios, divulgados ontem pela Comissão Nacional Eleitoral, trataram de confirmar que João Lourenço é o novo Presidente da República eleito e o MPLA volta a ter maioria qualificada na Assembleia Nacional. Estas eleições, as quartas da nossa História, acabam por colocar Angola no catálogo dos países que periodicamente realizam a escolha democrática dos titulares dos órgãos de soberania. Não menos importante é que elas consagram uma transição política pacífica que os angolanos caucionaram nas urnas. O novo ciclo político está inaugurado.
Numa primeira leitura podemos constatar que, apesar de ter conseguido a maioria qualificada com 61,10 por cento dos votos, fazendo eleger 150 deputados, o MPLA perde 25 assentos na Assembleia Nacional. A UNITA, com 26,71 por cento do total de votos, ganha 19 assentos e, dos 32 deputados que detinha, passa para 51. A coligação CASA-CE, que não logrou retirar à UNITA o estatuto de maior formação política da oposição, duplica, entretanto, o número de deputados, passado de 8 para 16. O PRS e a FNLA perdem, cada, um deputado, ficando apenas com dois e um, respectivamente.
É de assinalar o crescimento tanto da UNITA como da CASA-CE, apesar de nenhuma das formações e respectivos cabeças de lista, que tinham como meta ganhar as eleições, ter sequer ficado próximo dos 50 por cento dos votos obtidos. PRS e FNLA caminham, inexoravelmente, para a extinção. As eleições de 2022 poderão ser simplesmente a confirmação.
Grosso modo o eleitorado renovou a sua confiança no MPLA, tendo em conta o grande papel que tem jogado de dinamizador das transformações políticas, que se pretende continue a desempenhar em clima de estabilidade. Com efeito, a conquista da paz, a reconciliação nacional, a reconstrução económica, as diferentes obras que estão a traduzir-se no desenvolvimento do país, e que são factos indesmentíveis, fizeram o eleitorado entender que “a hora não é para experiências e para correr riscos desnecessários”, parafraseando o deputado Lopo do Nascimento, tendo, por isso, optado por trilhar caminhos seguros, por mudanças em ambiente de estabilidade. Mais eficiência e eficácia das instituições na realização do seu objecto social e na relação com o público, mais justiça social, são, por junto e atacado, o que se pode depreender também que o eleitorado quis transmitir nestas eleições.
Nada que o partido maioritário desconheça e, por isso mesmo, o MPLA e o seu candidato assumiram, durante praticamente toda a acompanha eleitoral, que vão continuar a pôr de pé novos projectos, a erguer novas construções. Mais importante do que isso foi o reconhecimento de que há coisas que, do jeito que estão, já não dá; que é preciso mudar. Daí o compromisso de melhorar o que está bem e corrigir o que está mal, de enfrentar com coragem todas as situações de irregularidade que têm contribuído para o aumento significativo do índice de insatisfação da sociedade.
O MPLA tem, mais uma vez, a missão histórica de introduzir mudanças de fundo na sociedade e João Lourenço, enquanto candidato a Presidente da República, soube posicionar-se e capitalizar o desejo da maioria do eleitorado em ver essas transformações produzirem-se, no mandato de cinco anos que se apresta a começar, sem, todavia, pôr em causa tudo de positivo que já foi feito. Os angolanos estão, desde já, de parabéns porque o processo de votação decorreu em ambiente de tranquilidade, de elevado civismo e sem ocorrências que pudessem manchar o acto eleitoral. É opinião unânime dos diferentes observadores, quer nacionais quer estrangeiros, que o processo decorreu com lisura, transparência e um grande nível de organização técnica, superando em muitos aspectos outros processos similares realizados mesmo fora do continente africano.
Da nossa parte cumpre-nos felicitar todos os candidatos e formações políticas concorrentes pelo trabalho realizado, que engrandece a democracia angolana e contribui para o aumento da credibilidade interna e externa do país.
A democracia não se esgota com as eleições. Quem ganha deve governar para todos. Quem fica na oposição tem a obrigação de continuar a trabalhar em prol da nação, por uma cada vez melhor gestão da coisa pública. Por conseguinte, a UNITA, a CASA-CE, o PRS e a FNLA são peças essenciais ao reforço da democracia angolana e representam uma franja significativa da vontade do eleitorado que deve ser levada em conta na hora da tomada de decisões capitais. Algo que, estamos certos, o partido vencedor vai continuar a considerar, como sempre o fez.
 * Director Nacional de Publicidade. A sua opinião não engaja o Ministério da Comunicação Social

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