Opinião

Eleições no roteiro festivo dos angolanos

Carlos Calongo

A história de Angola e dos angolanos regista variadíssimos momentos que por motivações próprias são considerados verdadeiros ícones festivos, pressupondo que mesmo perante adversidades de diferentes tipologias os angolanos sempre souberam soltar um sorriso de satisfação com sabor a vitória.

E, bem à sua maneira, as celebrações dos angolanos, com as devidas excepções, são reflexos de festa, nem que para tal seja equacionada a obrigação de esconder-se a dor advinda de qualquer provocação gerada da vontade de quem, no alto da prossecução de desejos e/ou caprichos pessoais, se distancie dos desígnios colectivos.
Ainda assim, para Angola e os angolanos, em quase tudo é possível encontrar-se um motivo para sorriso e celebração, que em última instância é festa.
A guisa de exemplo, a sublevação de Ngola Kiluanje, Rei do Ndongo, a saga destemida da Raínha Nzinga Mbandy, assim como a odisseia que culminou com a decapitação do Rei do Kongo na batalha de Ambuila, podem ser entendidos como actos que promoveram a primeira das grandes festas da angolanidade que veio a ser celebrada com a proclamação da independência.
A festa da proclamação da independência ou, se preferirem da nossa “Dipanda”, é um marco do qual se pode extrair substantivamente muito do que se encerra no âmago desta reflexão, por emergir nela a vontade da construção de uma Nação liberta das agruras do colonialismo, perspectivando-se o desenvolvimento em todas as amplitudes, e ainda assim, contraposta com outras vontades não reflectidas na razão da maioria.
E bem à moda originária bantu, a celebração de uma festa é irrigada com agradáveis motivos dos quais as gerações vindouras se devem orgulhar.
Mais do que isso devem cuidar de passar o testemunho aos sucessores, no espírito de que mais fortes sempre foram a razão e vontade do povo, que nunca se distanciaram da calma, serenidade, entre outros atributos que fazem parte do ADN dos angolanos, que mais facilmente se deleitam com motivos festivos do que com outros marcados por indefinidos actos que contrapõem a vontade do povo.
Na lista dos bons motivos que levam os angolanos à festa estão as eleições multipartidárias que desde 2008 vêm sendo realizadas com regularidade, civilidade, serenidade, calma e alto espírito de maturidade política que fazem delas um exemplo para muitos outros povos e Nações.
Considerando o ano de 2008 como o marco da regularidade dos pleitos eleitorais, pode-se aferir que elas, as eleições, já figuram na lista dos motivos de festa que os angolanos celebram pelas melhores razões.
Aliás, os angolanos gostam e sabem bem do ofício, ou seja, festejar os bons motivos, sobretudo quando deles advêm resultados que incidem sobre o crescimento, desenvolvimento e toda espécie de actos concorrentes à satisfação dos interesses pessoais e colectivos.
Com este mesmo espírito os angolanos irão, mais uma vez, festejar a vitória da democracia.
Para tal, aguardam apenas pelo anúncio definitivo dos resultados oficias das eleições de 23 de Agosto.
Enquanto esperam continuamos a dar lições de civismo, calma, serenidade, bem como apregoamos, apenas isso, a verdade da realização de eleições livres, justas e transparentes confirmadas por todos, incluindo as missões de observação oriundas de várias partes do mundo, que caracterizam as eleições deste ano como uma verdadeira festa da democracia.
Por mais que se pretenda, vontade nenhuma irá demover os angolanos do desejo de celebrarem a festa das quartas eleições da sua história, realizadas com “glamour”.
E como o noivo que no altar aguarda ansioso pela chegada da noiva, ainda que tarde a chegar, a certeza existe: a festa está garantida. A democracia está consolidada. A Nação tem rumo. Angola vence e o povo festeja.

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