Opinião

Em linguagem gestual

Matias Adriano | Suez

A língua árabe, empregada em diferentes dialectos, num perímetro territorial que se estende do Marrocos ao Iraque, considerada sagrada entre o povo muçulmano e a mais difundida dentro do tronco das línguas semíticas, exerce forte influência na comunicação do povo egípcio.

O inglês é, praticamente, uma espécie de língua apenas de foro administrativo, e com muito pouca população falante. As mesmas dificuldades de comunicação por que passamos quando, por iguais motivos, aqui estivemos, em 2006, voltamos a enfrentar. A comunicação tem sido algo infestado de muito ruído, dificultando o nosso exercício quotidiano.
Se não é o taxista que te leva em lugar errado, porque não pesca sequer uma palavra em outra língua, que não seja o árabe, é o empregado de hotel que te trás uma toalha de rosto ao lugar do papel higiénico solicitado. Mesmo os voluntários cuja missão consiste, à partida, em apoiar a organização, apresentam este défice.
“Welcome”, é a única palavra que alguns conseguem soltar para depois te encaminhar a outra pessoa que consiga balbuciar algo em inglês. E neste “lenga-lenga” perde-se muito tempo para alcançar algo que muitas vezes temos à mão de semear. Podemos até entender a condição do cidadão comum, no caso do taxista, do empregado de bar enfim. Mas outros não.
Quem está, por exemplo, num posto de serviço ligado à organização da prova, no mínimo se lhe devia exigir o domínio da língua inglesa. Não é o que acontece, o que espelha alguma permissividade da Confederação Africana de Futebol. É, realmente, inconveniente fazer recurso à linguagem gestual em compromisso de tamanha grandeza e responsabilidade.
Como exemplo, na viagem que fizemos, por estrada, do Cairo a Suez, não trocámos sequer uma palavra com o “chauffer”. A conversa fluía entre nós. Aliás, foi a recepcionista do hotel, no Cairo, que facilitou a comunicação com o homem no acerto do preço da viagem. Mas na hora do pagamento, no destino, trocámos abraços e sorrisos, porque o dinheiro fala todas as línguas. Aqui sim, deu para comunicar.

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