Opinião

Embalo para o Qatar

José de Mátis

O que ficou quase desenhado, depois da magra vitória(1-0) de Bakau, acabou por se concretizar, para a alegria ou alívio do nosso futebol. Os Palancas Negras lograram passar pela congénere da Gâmbia e estão qualificados para a fase de grupos de apuramento à próxima edição do Campeonato do Mundo, no Qatar, em 2022.

É, realmente, motivo de regozijo, mas que nos convida à reflexão sobre o que urge fazer, de modo a arrumar uma selecção capaz e à altura do que poderão ser as obrigações do torneio, em que o nosso país há-de fazer parelha, certamente, com as principais referências do futebol africano. Passar pela Gâmbia não constitui um grande feito. É só o primeiro passo, daquilo que pode vir a ser uma verdadeira “odisseia”.
Para que possamos continuar a sonhar haverá que se rever um conjunto de factores que têm vindo, nos últimos tempos, a penalizar, e de que maneira, o nosso futebol, sobretudo a nível de selecções, em que os resultados, regra comum, acabam por ser ruins, criando um pomo de discórdia entre os homens do futebol e, acima de tudo, um ambiente de mau estar.
Desde já, é imperioso que as acções da Selecção Nacional sejam acompanhadas e encaradas com maior sentido de responsabilidade, com maior espírito patriótico, da parte daqueles que, nas vestes de dirigentes, se acham comprometidos com o futebol nacional. Pois, vezes há em que vinca a percepção de os Palancas serem um projecto de meia dúzia de pessoas.
Desde logo, a Federação Angolana de Futebol precisa acertar a equipa técnica. Ainda escapa à compreensão a condição interina de Pedro Gonçalves, consumada que ficou a rescisão com o sérvio Srdjan Vasiljevic. É claro que, não estando a competência do técnico em causa, existem alguns detalhes de foro contratual por acertar entre as partes. Mas é preciso ultrapassá-los, se é que existem.
O importante será passar pelos problemas vividos, cujas consequências foram de todo prejudiciais no plano competitivo. Urge agora levantar a cara e encarar os próximos desafios num outro clima, numa outra perspectiva. Pois, passando um mata-borrão pelo exercício anterior e abrir um outro capítulo, mesmo que os resultados não venham a ser aquilo que se pretende, não haverá lugar para especulações do género, a culpa resultou disto ou daquilo, senão da própria prestação em campo.

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia