Opinião

Entre frustração e simples desânimo

Por mais avisados que estejamos ou tentemos estar acerca da influência do pensamento negativo sobre cada um de nós, a verdade é que ninguém está imune a errar quando se trata de ser levado por uma maré má, sobretudo se ela for trazida por alguém muito próximo.

Falamos, pois, de confiança, que não é só um acto de absorção, mas também de expansão, não é apenas o que sentimos na relação com os outros, mas, sobretudo, aquilo que damos ou somos capazes de oferecer.
Devido a um abalo na saúde, que afectou, sobremaneira, a nossa relação com o Mundo, em geral, e com as pessoas, em particular, hoje, andamos sempre com um pé atrás. Alguns familiares e amigos já disseram que se trata de uma reacção tardia, bem ao estilo do ditado “casa arrombada, trancas na porta”; outros acham que, na verdade, continuamos ingénuos.
Há mesmo quem diga que tal vulnerabilidade tem a ver com outros aspectos, como a origem modesta, a educação familiar, a formação ideológica, etc. Seja lá o que for, certas atitudes, de tão graves que são, ainda agora nos surpreendem.
Por mais atentos que procuremos manter-nos, será sempre difícil prever golpes baixos, como a usurpação de identidade ou o aproveitamento da nossa bondade em proveito próprio, quando tais actos, verdadeiras facadas nas costas, são protagonizados por quem menos esperamos.
Da mesma forma que nos é difícil aceitar perante neurologistas que a nossa situação tenha a ver com algum acto que nos causou profunda defraudação, não passa pela nossa cabeça que, hoje, a nossa situação de aparente vulnerabilidade seja tida como uma porta aberta para aproveitadores, aqueles a quem chamamos “matrindindes”.
Os mesmos médicos, ao questionarem sobre o nosso histórico em termos psicológicos, revelaram certa relutância em aceitar que esta ou aquela defraudação possa ter contribuído tão profundamente para esse estado de coisas.
Daí, talvez, darmos alguma atenção à divulgação de estudos que atestam que o pensamento negativo afecta os neurónios e prejudica a nossa saúde. Especialistas referem que os neurónios possuem uma camada de protecção neurológica e que, se a pessoa mantiver um stress crónico, vai haver uma diminuição desse elemento.
O que mais tememos é ser apanhados pelo pessimismo, que, se mantido por muito tempo, pode, dizem os estudiosos, danificar o cérebro. Segundo eles, esse sentimento funciona como factor stressante de longa duração.
A consequência é ficar-se muito mais propenso a desenvolver qualquer tipo de doença neurológica, sobretudo a depressão, sendo que acima de três meses de exposição a esse tipo de stress, já é possível verificar algum tipo de dano. Com seis meses de exposição a tal situação, é de se esperar pelo pior.
Infelizmente, é o que se vem repetindo. Com alguma dureza na linguagem, uma pessoa amiga, que se considera “sensível” e nos coloca no mesmo grupo de gente, afirma sentir-se chocada com tão elevado nível de ignomínia, o que entendemos como estado em que alguém se faz passar por ignorante para desferir golpes a quem pretende ajudá-lo.
É estranho que, no afã pelo lucro imediato, ao mesmo tempo que se passa por cima de juras de amor e de amizade, se ignore todos os registos, incluindo os electrónicos, do seu passado, antigo e recente.
Só a malvadez pura - a malvadez-malvada, mesmo - pode justificar tanto desprezo pelo que fica dito, com testemunhas e tudo, pelo que fica escrito, sempre presente no mundo digital.
Este será um texto choramingão, lamecha. Muitos dirão que devemos estar frustrados. Não, não estamos. Estamos, simplesmente, desanimados. Mas tudo isso passa.


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