Opinião

Escassez de entendimento na caricatura do desporto

Honorato Silva

Federação Angolana de Futebol (FAF) e 1º de Agosto fizeram, fora do recato dos gabinetes, exactamente o que se desaconselhava no tratamento do caso do jovem futebolista Osvaldo Capemba “Capita”, ao ser impedido na quarta-feira de viajar, integrado na Selecção Nacional de Sub-17, que cumpre no Brasil a parte final da preparação para a disputa do Mundial da categoria.

Os dirigentes do organismo reitor da modalidade e do clube tiveram tempo suficiente para decidir, ainda à luz do dia, o desfecho da fricção. Por falta de flexibilidade, acabaram por arrastar o desentendimento na noite, ao ponto de o atleta ficar exposto a um espectáculo de triste memória, perfeitamente evitável.
Uma vez borrada a pintura do quadro de cores lúgubres no desporto angolano, tentado a sucumbir aos tempos de dificuldades do país, impõem-se apelar ao bom-senso, de modo a evitar que a emenda, dos danos causados pela operação destinada a retirar o futebolista dos militares do Rio Seco, seja pior que o soneto executado em notas e acordes sem harmonia.
O mau precedente aberto pela inclusão de Capita, num grupo que conhece e ajudou a brilhar na Taça de África das Nações disputada na Tanzânia - por passar a ideia de premiação da “indisciplina” -, tem tratamento em fórum apropriado, a FIFA no caso, porque o 1º de Agosto, emancipado no plano competitivo e da gestão desportiva, teve o cuidado de solicitar a intervenção da entidade máxima da modalidade. Posto isto, ao clube recomenda-se calma e paciência, enquanto aguarda pelo desfecho do caso.
No rescaldo de todo este imbróglio, salta à vista o estrago feito por elefantes em loja de porcelana. Mas ainda é possível reparar o dano, com a partida do atleta, sobretudo porque o país não pode ser colocado ao nível dos interesses de agentes e intermediários que perseguem apenas o lucro.
É tempo de os clubes angolanos, apoiados pela Federação, cuidarem da protecção dos seus activos em fase de formação, para que o galinheiro não esteja à disposição das raposas. Depois da casa arrombada, trancas à porta!

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