Opinião

Estratégias de marketing e outros truques políticos

Altino Matos |

Uma vez testadas as estratégias de marketing e ensaiados alguns truques políticos, que ficam sempre bem em período de eleições, os partidos têm agora a tarefa de verificar se os quadros daí resultantes estão conforme os planos operacionais e se conseguem dar sustentabilidade aos seus cabeças de lista na luta pela conquista do maior número de votos.

O MPLA, a UNITA e a CASA-CE cumpriram à risca o período que antecede o início da campanha, permitindo que os eleitores pudessem ficar com uma ideia sobre as suas intenções políticas e eleitorais. Foi oportuno, por exemplo, apreciar a forma como ambos se comportaram e enviaram sinais aos adversários, para demarcar não apenas o seu espaço mas sobretudo para avisar que não estão para mero “espectáculo” político.
Os partidos da oposição, em muitos momentos, foram ousados e criticaram o seu principal adversário: o MPLA. Porém, por pouco não se encurralaram, presos nos velhos hábitos de disparar contra tudo e todos, sem observarem primeiro a situação, ou deixar passar ao lado pequenos ataques, em nome de uma união, ainda que seja latente.
A UNITA e a CASA-CE entraram em choque, apesar de não se gladiarem directamente, o que foi bom para a campanha uma vez que tudo depois acaba por ser atribuído ao MPLA (como foi), por ser o dono da situação, como soe dizer-se. Foram tomadas, as duas forças, pela onda de truques, que surgiu no percurso de ambos “desavisadamente”.
Quero acreditar que a UNITA e a CASA-CE têm o controlo das suas operações e vão surpreender durante a campanha. Pois, só na ausência de conhecimento desses truques é que um partido envolvido numa disputa eleitoral confere tanta importância a algo desconexo de todo o ambiente político.
Quanto à FNLA, PRS e APN, quase nada se tem a dizer, porque puseram as suas máquinas em movimento apenas no final da pré-campanha. São partidos concorrentes, com direitos iguais no quadro da lei eleitoral, mas sem ritmo político nem expressão eleitoral. Os eleitores não têm condições objectivas para os avaliar.
Neste particular, os três partidos, que já tinham uma tarefa difícil, ficam sujeitos apenas ao voto ideológico, se tanto. Para o voto político e eleitoral, já vão muito tarde, o que os exclui da luta pela vitória, claro! Apenas os três grandes, podem permitir-se ao sonho de chegar ao poder. Mas aqui, também, assistimos a algo interessante, o bastante para desenhar um quadro de vantagem partidária.
O MPLA, seguindo religiosamente a sua estratégia operacional de marketing, roubou a cena à oposição com o slogan corrigir o que está mal e melhorar o que está bem, deixando os seus adversários quase que atónitos, por posicionar-se perante os problemas do país e, mais importante ainda, abrir um diálogo com os eleitores.
Este posicionamento significa um gesto simples mas revestido de originalidade, porque demarca-o das subjectividades contidas no próprio processo eleitoral. Para reforçar a estratégia, o “partido dos camaradas” usa uns truques de diversão, que irritam os adversários, com o fim de os enfraquecer. A sua acção política permite-lhe uma continuidade na campanha, tão igual a qualquer outro partido que quer chegar ao poder pela primeira vez.
O plano operacional foi bem concebido, porque conseguiu retirar o foco de si, o que vale dizer, dos seus feitos enquanto partido no poder. As únicas críticas que recebeu da oposição fundamentaram-se na sua responsabilidade de Estado e não nos argumentos de partido concorrente. A  sua máquina criou os quadros políticos e determinantes eleitorais, que sustentam as dinâmicas políticas.
A UNITA e a CASA-CE ficaram parados, isto é, distraíram-se com as simpatias e gestos de encorajamento e esqueceram de fazer o trabalho de casa. Para quem quer chegar ao poder deve centrar-se no caminho da vitória, para afastar as forças que também nele se alinham, sob pena de ser diluído na “caldeira do outro”.
Os dois partidos comportaram-se, até agora, em termos de estratégia de marketing político, como se estivessem a disputar um pleito lunático, aceitando que todas as forças concorrem como iguais, um erro, queremos acreditar, que é fruto de distracção.
Na nova fase, em que as máquinas de propaganda e marketing político vão intensificar os seus processos, é desejável que os partidos correspondam às expectativas dos eleitores no que toca aos conteúdos políticos e promessas de governação. Convém  referir que os conteúdos servem para mostrar a capacidade de continuidade dos partidos, chegando ou não ao poder, enquanto as determinantes eleitorais animam os processos políticos com o fim de persuadir os eleitores e as promessas de governação procuram dar garantia real de solução dos problemas do povo.

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