Opinião

Excessos no Aeroporto 4 de Fevereiro prejudicam o turismo

Ikuma Bumba |

A pretensão de transformar o turismo nacional numa das maiores fontes de receitas para os cofres do Estado exige pragmatismo e uma revisão das actuais medidas de segurança a que estão sujeitos os passageiros dos voos internacionais no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro em Luanda, se concordarmos que o mesmo é antecâmara ao futuro Aeroporto Internacional de Luanda em construção.

Quem viaja deseja fazê-lo com o máximo de segurança, quem viaja o faz de forma tranquila quando consciente que todos os pressupostos referentes à segurança foram observados. Porém, os desafios actuais desaconselham que insistamos em algumas práticas consideradas como excessos e burocráticos no Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, sendo parte destas medidas prejudiciais à captação de investidores e turistas. 
É compreensível que os passageiros sejam submetidos ao controle habitual, antes da imigração à semelhança do que se observa nos demais aeroportos e inclusive os mais vigiados do mundo onde os cidadãos são obrigados a descalçar, podendo a inspecção chegar ao extremo do contacto com as partes íntimas dos passageiros, com maior incidência para os EUA que agravaram as medidas desde de 2009, no intuito de prevenir e evitar casos como o do nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab que, embarcou num voo com uma cueca contendo explosivos.
 Se a nível internacional as exigências visam combater essencialmente o terrorismo, apesar de não estarmos imunes ao referido fenómeno, queremos acreditar que, no nosso caso em concreto, os excessos e as burocracias são motivados para o combate ao branqueamento de capitais e os demais crimes praticados nos aeroportos. Apenas assim podemos entender, apesar de não concordar, que passageiros nacionais e estrangeiros sejam permanentemente obrigados a declarar valores monetários na famosa sala localizada, logo depois da imigração, estando sujeitos a perguntas com que ninguém se acostuma e limita-se a aceitar; quanto está a levar em moeda estrangeira e em kwanzas? Não leva mais dinheiro para além do declarado?
 O pior é que, nos últimos tempos, o SME implementou mais um controlo, que eventualmente, só ocorre entre nós. Os passageiros voltam a ser obrigados a passar as malas de mão no scanner de uma viatura móvel deslocada na pista do aeroporto antes de subirem no avião. Neste particular, curioso é o facto de tratar-se, das mesmas malas inicialmente inspeccionadas no primeiro controle antes da imigração, ou seja, o mesmo exercício repete-se em menos de duas horas e no mesmo local. 
 Partindo do pressuposto que cada país estipula quais os procedimentos de homologação das tecnologias que emprega para verificar os passageiros, mercadorias, bagagens de mão e de porão nos seus aeroportos, vou-me cingir a um episódio que não pude deixar de registar ao deixar Luanda recentemente para uma missão no exterior. Trata-se dos murmúrios de um casal francês na casa dos 60 anos que, no culminar das três paragens para o controlo impostas pelas autoridades angolanas, antes do famoso controlo da viatura móvel com o scanner defronte à aeronave na pista, resmungava na língua materna “un contrôle de plus, je ne crois pas. Que se passe-t-il de toute façon?” Em português “mais um controle, não acredito. O que se passa afinal?
Fiquei com a sensação que era primeira visita do casal a Angola e eventualmente a última, a julgar pelas expressões faciais e os gestos que para os mais atentos anunciavam desgaste, aborrecimento e desconforto. E deixavam o país com uma péssima imagem em relação aos dispositivos de segurança instalados no Aeroporto 4 de Fevereiro.

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