Opinião

FAF viola regulamentos

António de Brito

Causa alguma estranheza o facto de o Conselho de Disciplina da Federação Angolana de Futebol (FAF) não tornar público, até agora, os resultados de um inquérito interno cujos resultados são muito esperados.

A investigação em causa visa apurar responsabilidades sobre quem autorizou e entregou as licenças ao ASA, numa altura em que a equipa do aeroporto estava impedida de fazer novos contratos e competir no Zonal de Apuramento, por força de passivos com jogadores e treinadores.


Passados mais de 90 dias, o departamento federativo, que julga os casos de indisciplina no órgão reitor do futebol angolano, tem a obrigação moral de esclarecer a opinião pública nacional e internacional, a propósito do desfecho do processo e não se remeter ao silêncio, correndo o risco de levar o assunto ao esquecimento.

Se a direcção da FAF, acha que não tem de dar “cavaco a ninguém”, após a conclusão do inquérito feito, fica implícita a ideia de que os culpados estão identificados, mas a instituição denota falta de transparência. Com esta prática, a direcção da FAF leva os aficcionados a pensar que os culpados são “pesos pesados” dentro da instituição.

Caso assim não fosse, acreditamos que os resultados já seriam conhecidos há muito tempo, à semelhança do que aconteceu com o despedimento de Adão Simão e Laureano Francisco, ex-funcionários do Conselho Técnico Desportivo, mas até agora nunca ficou provada a causa do seu afastamento.

Seria natural os amantes do futebol esperarem, do Conselho de Disciplina (CD), a coragem de divulgar os nomes dos culpados e puni-los, seguindo o procedimento que conduziu à suspensão dos vice-presidentes da instituição, Adão Costa e José Alberto Macaia. Ambos foram suspensos por um período de 15 dias, pelo mesmo Conselho de Disciplina, alegadamente por violarem normais internas vigentes na FAF.

Não deveria pois haver dois pesos e duas medidas. Ninguém está (supostamente) acima dos regulamentos aprovados pelos associados e que a Direcção deveria fazer cumprir. Sendo a lei para todos, não deve haver excepções, desde o momento em que as pessoas a violam. Enquanto os resultados do inquérito não forem tornados públicos, uma coisa é certa:

Fica cada vez mais evidente que o órgão reitor do futebol angolano tem filhos e enteados, numa convivência em que nem todos assumem as consequências dos seus actos.

Sobre o assunto, José Carlos, presidente do Conselho de Disciplina, havia garantido à imprensa que “ a FAF tomaria as medidas disciplinares necessárias para salvaguardar a verdade desportiva. Se forem apurados os verdadeiros culpados”.

A FAF revelou um total desconhecimento dos regulamentos, porque o ASA podia participar no Zonal de Apuramento para o Girabola’2020/21, com jogadores amadores, já que o Conselho de Disciplina alegava que não podia registar novos contratos, pois tinha passivos com atletas e treinadores.

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