Opinião

Girabola é fardo para o Estado

Em tempo de austeridade, o Girabola constitui um clube de despesas supérfluas no Orçamento Geral do Estado (OGE). Em 41 anos de existência, as jogadas de campo permitiram os saques e os novos ricos revêm-se em cada ciclo olímpico.

O exercício das regras do desporto profissional está mais ligado às despesas. Os negócios operacionais ocorrem de forma amadora, na qual as melhores práticas administrativas e de controlo não são observadas.
Os gestores dos clubes endinheirados gerem o desporto à volta do Estado, quando deviam procurar pensamentos críticos para se aperceberem do destino da prática desportiva na economia de mercado. Hoje, apegar-se ao Estado é um caminho para o fracasso.

O Estado está a desligar-se das empresas e há a necessidade de se adaptar aos novos paradigmas social e económico. Os gestores estão na zona de conforto e condenados ao insucesso. Por isso, se assiste ao fim de clubes e o Girabola é um desporto estável na mediocridade. Em Angola, o carisma dos candidatos determina a escolha dos administradores em detrimento da vocação e da experiência administrativa. A gestão profissional é subalternizada e, em sequência, as decisões, que deveriam ser tomadas com base em critérios técnicos pelos dirigentes das equipas de futebol, são banalizadas por razões políticas ou pessoais. Isso acarreta prejuízos para o Estado.

Em época de mudanças, é imperioso ressaltar a importância da observância das receitas totais e de custos variáveis totais para equilibrar os cofres dos clubes. Se deduzirmos os patrocínios das empresas como fundos operacionais, os clubes angolanos de futebol vão desaparecer nos próximos meses, pois, optaram há muito tempo por renunciar a receita de arrecadação de ingressos e de vendas de merchandising. A população vai aos estádios, mas o Estado não ganha contribuições para investir em sectores da Saúde, Educação e outras áreas importantes. O Estado é o maior patrocinador do futebol.

Nenhum desporto no mundo desperta tanto interesse popular quanto o futebol. O Girabola reúne 16 equipas e milhões de telespectadores. O custo de colocar a bola na baliza adversária ronda milhões de kwanzas. A título de exemplo, um avançado ganhou 12 milhões de kwanzas mensais nas duas últimas épocas. O preço da vitória e da conquista do título varia de clube para clube.
No Girabola, o 1º de Agosto é o papão dos cofres por conta do patrocinador e da boa organização administrativa. A equipa militar detém um número fiel de contribuintes (sócios) que o deixam sempre folgado nas contas. O orçamento dos “militares” é superior ao do arqui-rival Petro de Luanda. A equipa liderada por Carlos Hendrick tem nos sócios jovens, fiéis ao clube, e nos ex-militares uma “fonte de receitas” que resultam em biliões de kwanzas mensalmente.

Os vice-campeões nacionais já tiveram momentos de “ouro”. A austeridade aplicada na empresa-sócia e principal patrocinadora, a Sonangol-EP, baixou as “receitas” do Petro de Luanda. Os momentos de transformação na empresa petrolífera deixaram-no “meio-órfão” e o pouco dinheiro coloca-o em situação de vulnerabilidade na hora de caçar os melhores atletas da praça nacional. O jejum de títulos no Girabola é o preço de pouco dinheiro.

O Interclube, Sagrada Esperança e FC Bravos do Maquis dividem os restantes lugares na grelha de equipas folgadas do Girabola. O Ministério do Interior, Endiama e Caixa Social das Forças Armadas Angolanas sustentam as equipas da Polícia Nacional, da empresa diamantífera e da província do Moxico.
As cinco equipas, mormente, 1º de Agosto, Petro de Luanda, Interclube, Sagrada Esperança e FC Bravos do Maquis constituem despesas avultadas no Orçamento Geral do Estado (OGE). A contra-partida das mesmas para o tesouro é nula. São instituições não rentáveis à economia nacional.

Abaixo delas estão as outras inquilinas do Girabola que vivem momentos de incertezas. As empresas patrocinadoras, na maioria privadas, estão desprovidas de dinheiro para custear as despesas de participação. A Covid-19 é uma inimiga que descapitaliza as empresas e, por questões financeiras, as próximas edições do Girabola podem ser disputadas apenas pelas cinco equipas patrocinadas pelo Estado.

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