Opinião

Governo da Polónia estimula natalidade

Nacho Temiño | EFE

O Ministério da Saúde da Polónia quer estimular o aumento da taxa de natalidade no país com um novo vídeo que mostra vários coelhos felizes e saltitantes, enquanto o narrador explica que o segredo para ter uma família grande é viver como estes animais, “fazendo exercícios, diminuindo o stress e seguindo uma boa dieta”.

A propaganda do governo começa com a câmara percorrendo o jardim e os coelhos fazendo diversas actividades. Em dado momento, um homem e uma mulher aparecem sentados, num piquenique romântico no mesmo lugar. Em seguida, o narrador pega um dos peludos e diz: “Se algum dia quiserem ser pais, sigam o exemplo dos coelhos”.
 Já faz algum tempo que o governo polaco está preocupado com os poucos filhos que os casais estão a ter e para tentar mudar esse cenário um programa oficial foi lançado. A nova estratégia foi o anúncio, que será exibido na televisão até ao fim do ano.
 Dentro desta estratégia, o governo da Polónia, um dos países mais católicos da Europa e, actualmente, nas mãos do partido nacionalista-conservador Lei e Justiça, promoveu em 2016 um plano de ajuda às famílias com mais de um filho, chamado 500+. Através desse projeto, as famílias recebem cerca de 150 dólares - livres de impostos - por cada filho adicional até que ele complete 18 anos.
 As famílias com menos recursos, aquelas com renda inferior a 250 dólares também recebem ajuda, mas para ter o primeiro filho. Para o governo isso contribui para a coesão social e promove a natalidade também nos grupos mais desfavorecidos.
 Segundo o Ministério de Trabalho, Família e Política Social, a estratégia de apoio à natalidade está a dar resultado. Conforme dados do primeiro semestre deste ano, 200 mil nascimentos foram registados, 14 mil a mais do que no mesmo período de 2016.
 No entanto, a oposição criticou o programa. Líderes dos partidos liberais Plataforma Popular e Nowoczesna consideram que essa é uma estratégia para comprar votos (conforme as últimas pesquisas, o Lei e Justiça aumentou o nível de popularidade desde que ganhou as eleições de 2015), e questionam a sustentabilidade desses subsídios.
 Ninguém nega que a medida, que, por enquanto, beneficia 4 milhões de crianças, tem um custo elevado para o governo, que para compensar tenta captar receita através de impostos às grandes empresas, muitas delas estrangeiras.
 Quase todos os países ocidentais estão abaixo deste nível, incluindo o Reino Unido (1,8), Brasil (1,78), Estados Unidos (1,9) e Alemanha (1,4). Apenas Portugal (1,31) tem uma taxa de nascimentos mais baixa que a da Polónia.

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