Opinião

Guerra às “fake news”

Victor Carvalho

Naquilo que é considerado um passo importante para tornar as redes sociais menos vulneráveis aos difamadores e caluniadores espalhados pelo mundo, incluindo em Angola, a empresa proprietária do Facebook anunciou esta semana que já estreou o seu centro de controlo de notícias falsas.

Denominado de “quarto de guerra” pela própria empresa, existe na sua sede em Menlo Park, no Estado da Califórnia, um compartimento onde funciona uma equipa composta por 30 elementos que tem sobre os seus ombros a responsabilidade de coordenar milhares de outros trabalhadores espalhados pelo mundo.
Estes milhares de trabalhadores, por sua vez, tratam de esmiuçar e de descodificar os conteúdos das mensagens suspeitas de serem “fake news”, reportando para sede as contas suspeitas de alojarem esse tipo de informação.
A estreia da equipa que ocupa o referido “quarto de guerra” aconteceu por altura da primeira volta das eleições presidenciais brasileiras, no passado dia 7 deste mês.
De acordo com a própria empresa, durante a campanha eleitoral para essas eleições, os especialistas em segurança que acompanham a actividade dos utilizadores do Facebook no Brasil, seguiram a pente fino as mais variadas notícias e mensagens trocadas na sua rede, de acordo com uma estratégia previamente definida e que se ajustava às características especificas do país e dos principais candidatos.
No caso concreto das eleições brasileiras, o Facebook referiu que foram anuladas milhares de informações falsas, muitas delas incentivando ao ódio e à violência, tendo as contas sido canceladas e denunciadas às autoridades a identificação dos seus proprietários para eventuais procedimentos criminais.
Não se alongando muito em pormenores, até para não dar ao “inimigo” ferramentas para se precaver, a empresa garantiu que tem registos do nome de muitos proprietários de contas que habitualmente divulgam informações falsas e que está na disposição de continuar a colaborar com as autoridades para que esse combate possa ser devidamente articulado e os prevaricadores publicamente denunciados.
Uma outra rede social, o WhatsApp, também a propósito das eleições brasileiras, denunciou esta semana a existência de milhares de mensagens falsas postadas mecanicamente para influenciar a decisão de voto a favor de um dos candidatos à vitória.
Tratou-se de uma denúncia séria que, inclusive, pode levar à impugnação dessa candidatura caso a justiça brasileira mostre interesse em levar o caso até às últimas consequências uma vez que viola a legislação eleitoral em vigor naquele país.
Em Angola tem-se vindo a assistir ao aumento do número de sites que reivindicam ser “agências noticiosas”, mas que na prática não passam de centros de difusão e propagação de informações falsas, que fazem da calúnia e da difamação o único argumento para captar a atenção de desprevenidos seguidores.
Ninguém, pelo menos de boa fé, pode dizer que não existe liberdade de imprensa em Angola ou uma outra qualquer situação que possa justificar a existência de uma informação clandestina, especializada em praticar o crime de injúria e difamação através de uma sinuosa movimentação pelas entrelinhas da lei.
O exemplo de preocupação expressa por uma empresa da dimensão da proprietária do Facebook, só terá um efeito verdadeiramente eficaz quando houver, a nível mundial, uma legislação global adequada para punir os deliberados autores de falsas informações.
A democracia e a liberdade de imprensa são dois bens maiores que se conjugam, não cabendo neles indivíduos que fazem da mentira deliberada um modo de tentar influenciar negativamente a sã convivência que resulta da partilha de informação entre gente de bem.
Aquilo que deveria ser um bem comum, as redes sociais, acabam por desempenhar um papel perverso num mundo moderno, onde a azáfama diária por vezes não permite a necessária confirmação daquilo que nos é diariamente “oferecido” e que muitos de nós consome como se fosse uma verdade absoluta.

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