Opinião

“Homenagem” ao fascismo

Luciano Rocha

Uma tarde destas fiz uma breve incursão pela velha Maianga, que nasceu tanta gente boa  de Luanda e acolheu tantos outros como mãe, que lhe retribuíram como filhos devotos.

A velha Maianga das casas térreas, quintais floridos, quintalões de fruta, guardados por cães ferozes, jovens bonitas à janela, namoros no portão, mercearias de aceitar avio para pagar no fim do mês, trumunos de rua, vizinhos como família, intrusos a serem olhados de esguelha, atletas que enchiam de orgulho o bairro, já não existe, esfumou-se no turbilhão do tempo.
Da velha Maianga pouco mais resta do que o nome. Que tem razão de ser e hei-de contar um dia a estória. Para avivar memórias e os mais novos ficarem a saber que os bairros, como as cidades, têm alma,  vida, memória.
As artérias estreitas da velha Maianga, as que resistem, têm pouco mais do que o sítio de então. Como as outras que se lhe seguiram são exemplo do desleixo de quem tem a incumbência de cuidar dela: sujas, esburacadas. Mas, pior do que tudo, é a ignorância - para ser condescendente - dos responsáveis pela toponímia de Luanda. Uma das antigas artérias mantém, bem visível, a placa alusiva à criação da ditadura colonial-fascista, 28 de Maio. Arre, é demais!

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