Opinião

Índice de aprovação em alta

Santos Vilola

O índice de aprovação popular do Presidente da República pode ter disparado, desde as eleições gerais. Se tivéssemos no país estudos de opinião e de inquérito, depois do discurso de ontem na Assembleia Nacional, hoje os resultados mostrariam João Lourenço no topo dos resultados dos estudos de sondagens.

Nas redes sociais ontem, os comentários favoráveis centravam-se nas ideias do Presidente da República sobre o fim do monopólio em determinados sectores da economia, a aposta a sério na língua inglesa, a reforma do Estado e do sistema de educação e na redução das despesas com representações diplomáticas que mobilizam menos investimento estrangeiro.
Na rede social Facebook - infelizmente é lá onde medimos o índice de contestação ou aprovação -, os internautas foram fartos de comentários que aprovam o discurso à Nação feito na abertura do ano parlamentar pelo Presidente João Lourenço, que está apenas no cargo há menos de um mês.
A popularidade do Presidente da República parece incontestável face aos desafios que traçou como prioridade para a sua governação. A reacção daquela “comunidade” foi um misto de perplexidade pela frontalidade do discurso e de expectativa em função do caminho indicado.
Depois de ter abordado o assunto no seu primeiro discurso de apresentação na pré-campanha eleitoral, João Lourenço deixou claro que as autarquias não representam uma “ameaça” para o MPLA, partido do governo, e assume como algo concretizável ainda nesta legislatura. E não se trata de vender promessa a crédito, porque João Lourenço não arriscaria o capital político que tem e que o trouxe ao poder.
A intervenção de João Lourenço levantou o véu sobre o Orçamento Geral do Estado em preparação para o próximo ano. O Executivo tem uma folga de cerca de dois meses para ver aprovado o principal instrumento financeiro de governação. Mas João Lourenço avançou já detalhes sobre o próximo OGE. “O OGE prevê uma taxa de crescimento real do PIB de 2,1 por cento, sendo 1,6 por cento para o sector não petrolífero e 0,6 por cento para o sector petrolífero”, disse.
Hoje, o maior “adversário” de governos é a economia. Finalmente ouvimos que o país teve quatro anos de recepção. “No período de 2013 a 2016, a actividade económica desacelerou de tal forma que, de acordo com os dados oficiais, a taxa de crescimento do PIB real passou de 6,8 por cento em 2013 para 0,1 por cento em 2016”, acentuou o Presidente.
Se a culpa é da crise económica e financeira que o país está a viver, a verdade é que João Lourenço admitiu aquilo que raramente tem sido feito pela equipa económica: “a taxa de inflação acumulada foi de 42 por cento e para o corrente ano prevê-se uma taxa ao redor dos 22,9 por cento”. Em função disso, temos registado um aumento do nível geral de preços na nossa economia, com consequências negativas para a vida das populações.
O poder de compra da moeda varia na razão inversa do nível geral dos preços, quer isto dizer que quanto mais elevado for o nível dos preços mais baixo será o valor da moeda, ou seja, menos bens e serviços poderão ser adquiridos com uma unidade monetária.
Os livros mais elementares explicam que a circulação da moeda está ligada à velocidade de circulação, isto é, ao número de vezes que cada unidade monetária é utilizada para efectuar pagamentos durante um certo período de tempo. Quando aumenta o ritmo da circulação da moeda, tende a ser menor o volume de liquidez detido pelas famílias e empresas (diz-se então que a preferência pela liquidez diminui); inversamente, quando reduz o ritmo, maior tende a ser o volume de liquidez que estes agentes detêm, maior é a preferência pela liquidez.
A quantidade de moeda na economia deve ser a bastante para garantir as trocas: assim, as autoridades competentes devem procurar controlar a Massa Monetária existente, de modo a conseguirem uma marcha concertada entre a Massa Monetária e o volume das trocas de mercadorias e serviços. De contrário, a falta de moeda cria dificuldades e atrasa as trocas na economia; e o excesso de moeda provoca uma situação de dinheiro fácil que conduz ao aumento dos preços das mercadorias e serviços (inflação), com a consequente depreciação da moeda (a moeda perde valor).
Outra verdade dura: “as taxas de câmbio nominais dos mercados primário, secundário e informal depreciaram-se 70 por cento, 71 por cento e 261 por cento, respectivamente”. João Lourenço admite que há um mercado cambial informal - o governador do BNA em entrevista há meses à TPA teve dificuldades em admitir - e reconhece que o peso do sector informal é maior.  
E o resultado é o grande impacto sobre as expectativas dos agentes económicos, porque grande parte das transacções cambiais reflectiu-se no aumento do nível de preços, como reconheceu o Presidente da República. O castelo de dificuldades foi descoberto. agora, mãos à obra.

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