Opinião

Integração política

Victor Carvalho

O governador de Cabinda, Eugénio Laborinho, acaba de dar um excelente exemplo do que pode ser a integração política, ao escolher para o seu executivo local dois elementos conotados com forças particularmente críticas ao que foram a acções governativas dos seus antecessores.

A nomeação do padre Jorge Casimiro Congo e de Maria Carlota Tati para secretários provinciais, com responsabilidades em diferentes áreas específicas, constitui um desafio que coloca à prova uma política assente na proximidade entre governantes e governados para um trabalho que visa objectivamente melhorar o que está bem e corrigir o que está mal.
Trata-se, pode dizer-se, de uma espécie de “experiência piloto” de cujo resultado prático poderá depender aquilo que irá passar-se doravante na governação de outras províncias enquanto não chega a hora das Autarquias Locais.
A governação provincial, pela sua especificidade e para ter sucesso, tem que ser desenvolvida de mão dada com a população, não adiantando dizer que a “vida começa no município”, se quem vive nos municípios não conhece quem os governa e se quem os governa também não sabe os problemas existentes nos municípios.
Por isso, a importância relevante que tem a indicação do padre Congo e de Maria Carlota Tati para cargos de governação em Cabinda, visto que se tratam de duas pessoas com um passado recente de críticas que agora têm a oportunidade de transformar em acções concretas para ajudar na resolução dos problemas existentes na província.
Estes dois importantes membros da sociedade cabindense, com um passado político de um forte activismo crítico em relação às políticas que foram sucessivamente adoptadas na província, certamente, serão uma mais valia para que Eugénio Laborinho possa devolver a esta província uma situação de bem estar social e económico que retire argumentos àqueles que ainda apostam na divisão política para a subversão da lei e da ordem.
Mais importante que a defesa de interesses pessoais, ou de grupos, está a defesa daquilo que é o interesse nacional num quadro de governação inclusiva, onde os melhores quadros possam ser devidamente aproveitados para cada tarefa específica.
Tal como em Cabinda, também noutras províncias existem problemas que requerem urgentes soluções, sob pena dos males se agravarem até atingirem pontos insustentáveis.
Na entrevista colectiva que concedeu no Palácio Presidencial, o Presidente João Lourenço disse que o Governo está a acompanhar com particular atenção o que se passa nas diferentes províncias do país. Daí esperar-se que medidas sejam tomadas, para que também nas províncias se melhore o que está bem e se possa corrigir o muito que ainda está mal, mesmo com as conhecidas dificuldades financeiras que nunca poderão servir de desculpa para que nada se faça.
Até pela necessidade de se ter que fazer muito trabalho com pouco dinheiro, é importante sublinhar a decisão do governador de Cabinda escolher para o seu elenco pessoas, como o padre Congo e Maria Carlota Tati, que tendo sido porta-vozes dos problemas, estarão agora melhor preparados para ajudar a corrigir o que está mal e, também, para trabalhar no sentido de melhorar aquilo que já estava bem.

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