Opinião

João Lourenço falou para toda a Nação no VII Congresso Extraordinário do MPLA

Eduardo Magalhães |*

O discurso de abertura do VII Congresso Extraordinário do MPLA, proferido pelo presidente do partido, João Lourenço, foi carregado de mensagens que merecem a especial atenção de todos. Primeiro, por ser o MPLA o partido com maior capilaridade no nosso país; segundo, porque a narrativa de João Lourenço rompeu o local da realização do Congresso e atingiu em cheio os anseios dos angolanos nas mais variadas vertentes.

Se no âmbito interno o facto do Comité Central do MPLA ter sido ampliado com 134 novos membros (antes 363 e agora 497) mereceu o natural destaque - por isso, é compreensível que este facto tenha sido o assunto mais comentado na imprensa -, no entanto, logo no início do discurso, o presidente do MPLA fez questão de apresentar argumentos contundentes sobre a importância do evento.
Nas palavras do próprio João Lourenço, o “objectivo principal é sobretudo o de alargar a composição do Comité Central, de forma a torná-lo mais consentâneo com a actual conjuntura de moralização da nossa sociedade, de combate à corrupção e à impunidade, de maior abertura democrática, com reais ganhos no que diz respeito à liberdade de imprensa, de pensamento, de expressão e de manifestação”, afirmou o presidente do MPLA.
Ficou muito claro que João Lourenço estava a falar sobre a renovação do MPLA como factor inseparável à superação dos novos desafios no nosso país. Quando afirmou que “este processo só pode ter sucesso se a direcção do Partido for reforçada com camaradas realmente comprometidos com a causa das reformas políticas e económicas em curso, que visam criar um verdadeiro Estado Democrático de Direito baseado no primado da lei, uma sociedade mais justa que dê às angolanas e aos angolanos iguais oportunidades de inserção na sociedade e de sucesso na realização e concretização dos seus sonhos”, João Lourenço revelou construir uma nova maioria qualificada no MPLA.
Longe de soar como mea-culpa, o presidente do maior partido angolano expôs as dificuldades para transformar o slogan de campanha numa política de Governo. “Vencemos as eleições gerais tendo como lema principal a necessidade de “Melhorar o que está bem, Corrigir o que está mal”. Palavras muito nobres, bonitas no papel mas em certa medida difíceis, mas não impossíveis de as tornar realidade”, sentenciou João Lourenço.
Fiel aos princípios que norteiam o MPLA, o presidente do partido justificou a necessária escolha de enfrentar inimigos como a corrupção e concentração da riqueza e a necessidade de diversificar a economia. Nas palavras de João Lourenço, “foi no cumprimento das orientações e directrizes do partido que o Executivo, desde muito cedo, se preocupou em tomar medidas de combate à corrupção, de combate aos monopólios e à concentração da riqueza nas mãos de poucos, medidas a favor da sã concorrência entre as empresas, de facilitação do visto de turista e da criação do visto especial do investidor estrangeiro”.
João Lourenço goza de elevada popularidade e sabe que, mesmo no discurso de um Congresso Extraordinário do MPLA, tudo o que ali era dito iria chegar aos angolanos em todos os níveis. Por isso, recordou os primeiros resultados positivos de Angola diante da Comunidade Internacional e nas relações bilaterais com diferentes países. O presidente do MPLA sabe que a economia é a base que o sustentará como um político forte. Isso faz com que tudo o que é dito seja vinculado aos objectivos das suas políticas de governação, com ênfase para a vertente económica.
O recente debate sobre o período da guerra e o consequente crescimento de Angola no Ranking Internacional da Paz, motivou o presidente João Lourenço a lembrar as dificuldades do pós-guerra, desde as questões estruturais, mas também sob os aspectos sociológicos que decorrem dos longos anos de conflito: “com esta situação de injustiça que precisamos corrigir, por cada dólar que despendemos para realizar o serviço da dívida, o Estado está também a pagar o investimento “dito privado” na banca, na telefonia móvel, nos media, nos diamantes, na joalharia, nas grandes superfícies comerciais, na indústria de materiais de construção e outros, que uns poucos fizeram com dinheiros públicos”, afirmou.
Em sintonia com as tendências mundiais de reduzir a carga do Estado com o contribuinte, João Lourenço foi cauteloso ao explicar a importância do IVA: “para não penalizar muito o contribuinte, ao longo dos anos foram sendo experimentados e aplicados um conjunto de diferentes impostos, mas foi sempre preocupação dos governos encontrar e aplicar um imposto que seja o mais justo, quer para o contribuinte como para o Estado que arrecada para utilizá-lo para o bem público, no fundo no interesse do próprio contribuinte”. Trata-se de um esclarecimento que valoriza a opinião quase unânime nos dias de hoje de que “o IVA é o mais justo de todos os impostos,” como sublinhou.
Como dito anteriormente, a economia é a base de sustentação e popularidade de todo e qualquer Governo. Por isso, João Lourenço sempre esteve a oscilar entre as questões da macroeconomia e da economia real, aquela que atinge o cidadão comum: “o maior desafio é sem sombra de dúvidas o do aumento da produção interna, o da diversificação da nossa economia, tornando-a cada vez menos dependente das receitas da exportação do crude”, concluiu o presidente do MPLA.
Por tudo isso, podemos afirmar que este VII Congresso Extraordinário do MPLA é mais um para ser chamado de “histórico”. Estamos a testemunhar uma história viva de transformação e de mudança para melhor. Estamos a viver uma transição da nossa economia e uma transformação positiva no nosso país. João Lourenço está ciente dos desafios que precisa superar e pareceu muito seguro de que a cada passo que dá, mais e melhor poderá construir as bases internas (no MPLA) e externa (junto ao povo). É o que o motiva a lutar e o que visivelmente o torna cada vez mais forte.
* Director Nacional de Comunicação Institucional. A sua opinião não engaja o MCS

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