Opinião

João Lourenço e a CPLP

Eduardo Magalhães |*

O discurso do Presidente da República, João Lourenço, na XII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), na última terça-feira (17), na Ilha do Sal, em Cabo Verde, foi mais uma intervenção internacional do Chefe do Estado angolano com sinais evidentes de que aos poucos uma nova Angola está a ser apresentada além fronteiras.

Os resultados certamente serão reflectidos internamente, sobretudo com os três principais objectivos estabelecidos quando da criação da organização: a concertação político- diplomática, a promoção da língua portuguesa e da cultura dos países membros e a intensificação da cooperação para o desenvolvimento.
O Brasil transferiu a presidência (pro tempore) de dois anos, para Cabo Verde. João Lourenço soube comentar com respeito aspectos específicos de cada país, diante de cada Chefe de Estado e, nominalmente, olhos nos olhos dos seus homólogos, com a habitual habilidade, manifestou solidariedade em relação às dificuldades de cada país membro, mas imediatamente acompanhada pelo desejo de estabelecer parcerias estratégicas com os parceiros da CPLP.
Em menos de um ano de governação, João Lourenço tem aproveitado cada aparição internacional para apresentar Angola como o país viável e planificado para a superação dos obstáculos actuais. Com o devido cumprimento protocolar, o PR angolano tem sido cirúrgico na exposição do nosso país. Destacando os aspectos negativos e positivos em doses equilibradas, conquista a cada intervenção internacional a necessária confiança dos potenciais parceiros e investidores.
Os 22 anos de constituição desta  comunidade de países de língua  portuguesa foram celebrados, nas palavras do Presidente angolano, com o destaque para as conquistas colectivas que foram consolidadas ao longo desse período de cooperação mútua. João Lourenço sinalizou a cooperação económica como uma das suas prioridades. Na óptica do Chefe do Estado angolano, o esforço para a cooperação económica se dá em função da necessidade imediata de promover a diversificação da economia como caminho necessário para a “redução do peso do sector petrolífero e a diversificação económica”.
João Lourenço, uma vez mais, apresentou a abertura do mercado angolano como um factor capaz de produzir parcerias positivas e aproveitou a recente visão estratégica da CPLP para a próxima década – com ênfase na cooperação económica e empresarial, na segurança alimentar e nutricional, na energia, no turismo, no ambiente, na educação e na ciência, na tecnologia e no ensino superior – e convidou todos os países membros para um conjunto de esforços em cooperação para que seja possível o fortalecimento económico das respectivas economias. 
Optimista, João Lourenço encerrou a sua mensagem com a certeza de que os laços históricos entre os países membros e os avanços na aproximação económica e dos povos serão ferramentas importantes na construção de um futuro melhor para todos os países membros da CPLP.
Dentre as várias organizações multilaterais, a CPLP é hoje um bloco que se posiciona conjuntamente sobre diversos temas da agenda política internacional e vem se firmando como espaço de entendimento e cooperação e faz todo sentido que Angola tenha uma palavra a dizer na perspectiva do seu real fortalecimento.

* Director  Nacional de Comunicação Institucional. A sua opinião não engaja o Ministério da Comunicação Social

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