Opinião

Jogo de colossos promove respeito entre os adeptos

Honorato Silva

Atrasado no tempo, por força do calendário das provas africanas, o clássico dos clássicos do futebol angolano volta a juntar, sábado, os adeptos do 1º de Agosto e do Petro de Luanda, bem como os indecisos e os neutros, que saltam sempre do muro para reforçar um dos lados.

Contrariamente a outras paragens, onde a rivalidade atinge contornos bélicos, a disputa mais aguardada do desporto no país tem o condão de unir as pessoas, apesar das diferenças clubísticas. O exemplo mais recente digno de ser realçado foi dado em Setembro de 2017, no calor das eleições gerais.
Enquanto o ambiente político era dominado por dúvidas em torno dos resultados eleitorais, no plano desportivo jogadores, treinadores, dirigentes e adeptos davam uma grande lição de cidadania, pela forma urbana como foi vivido o “trumunu”, antes, durante e depois.
Num jogo sem casos, cujo nó do resultado foi desatado a favor dos militares por Bobó, que finalizou uma jogada com requintes de mágica assinada por Buá, militares e petrolíferos prolongaram o espectáculo fora das quatro linhas, mas sem clivagens. Para a memória colectiva ficaram os registos do respeito e da irmandade entre os  seguidores dos dois emblemas.
É com esse espírito que devemos regressar todos ao Estádio Nacional 11 de Novembro, para assistir a um desafio que está longe de decidir o que quer que seja nas contas do título, pois quem vencer terá de defender a vantagem durante uma volta inteira.
Nas conversas que acompanham a preparação das equipas, o clima é de confiança e algum receio, a julgar pelo momento competitivo dos arqui-rivais. Do lado dos rubro e negros é publicitada a recuperação da frescura física, depois do apagão resultante da mistura da época passada com a actual, por força do prolongar da presença na Liga dos Clubes Campeões, ao passo que os tricolores gabam-se da alegria exibicional no Girabola e na Taça da Confederação.
Sem atender ao clamor dos “homens do futebol”, que pedem um tratamento especial para o Petro de Luanda, quanto ao cumprimento do calendário, por ser o único representante de Angola nas Afrotaças, situação semelhante à vivida pelo 1º de Agosto até Outubro, altura em que se exigia a dispensa de jogadores à Selecção Nacional, em nome do patriotismo. Preferências e memórias selectivas à parte, vamos à bola festejar a cidadania.

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