Opinião

Jornalismo como factor impulsionador do turismo

César Esteves |

Desde que Angola aceitou o desafio da diversificar a sua economia, para acabar, deste modo, com o monopólio do petróleo, que ainda é o sector que mais receitas fornece aos cofres do Estado, novas áreas para foram eleitas.

O turismo foi uma delas. O Estado decidiu apostar neste sector por haver provas mais do que evidentes de que o mesmo constitui, também, uma grande fonte de arrecadação de receitas para o crescimento do PIB de um país. A título de exemplo, o Uruguai, país com representação diplomática em Angola, chega a facturar para o seu PIB, apenas com receitas vindas do turismo, 55 milhões de dólares nos últimos anos, representando, deste modo, 7,5 porcento do seu PIB. Este país, considerado o exemplo de excelência em turismo na sua região, consegue atingir tal cifra fruto do número de visitante que recebe. Ainda sobre este sector do Uruguai, o portal “O Sul” afirmou que o país já chegou a receber 430 mil brasileiros, isto sem contar com os visitantes de outras partes do mundo. De acordo com este portal, apenas com o turismo, Uruguai já viu entrar para os seus cofres 12 milhões de dólares em 2005. “O Sul” dá a conhecer que só o sector do turismo neste país chega a gerar 110 mil vagas de emprego e constitui a maior actividade económica.
Não há dúvida que Angola também deseja, num futuro breve, atingir tal desiderato. Mas para tal, defende Manuel Hernández Ruigómez, embaixador de Espanha em Angola, precisará, primeiro, de fazer os deveres de casa, modificando a sua política de vistos. Este diplomata afirmou, através de uma entrevista que concedeu a este jornal que “viajar para Angola tem sido muito complicado. Se Angola quer ser um país atractivo, do ponto de vista do turismo, deve mudar completamente esta política de vistos. Não se pode desenvolver o turismo com a actual política de vistos, que é um autêntico calvário”, aconselhou o diploma espanhol em serviço no país.
O acordo de supressão de visto rubricado, recentemente, com a África do Sul, mostra que Angola não está satisfeito com este quadro descrito por Manuel Hernández Ruigómez e pode estender essa experiência com mais países.
Por essa razão e por via desses acordos, Angola pode passar a receber mais visitantes e, com isso, mais receitas para os seus cofres. Agora, para que Angola não seja só visitado, em grande escala, pelos sul africanos, fruto desse acordo rubricado, é fundamental que se criem políticas que visem divulgar as belezas turísticas do país. Os estrangeiros precisam de saber o que há de melhor em Angola em termos de pontos turísticos. É aqui onde o Jornalismo é chamado para emprestar o seu potencial a esta causa nacional. Através de uma política bem traçada, Angola pode, através dessa ferramenta, vender o seu cardápio turístico aos estrangeiros ao preço que quiser. Basta que se use bem instrumento.
Fazendo isso, o país vai conseguir atrair para o seu território muitos turistas estrangeiros e, com isso, consegue angariar para os cofres do Estado mais receitas. Alguns especialistas em Ciências da Comunicação já provaram, através de artigos publicados, que é possível haver frutos quando se fazem essas alianças. Por exemplo, Altino Machado dos Anjos Júnior, por via do seu artigo “A influência do Jornalismo no comportamento de consumo do turista e de lazer”, publicado no compêndio intitulado “Jornalismo de Referência”, organizado por Jorge Pedro Sousa, as pessoas dependem, em maior ou menor grau, da comunicação de massa, no que diz respeito a grande parte das informações e entretenimento que recebem. Este autor defende que, nos últimos dias, mais pessoas voltam-se à media de massa para conhecer melhor a sociedade. O turista de lazer, continua Altino Júnior, é influenciado, principalmente, pelos integrantes de sua família, no processo de decisão de compra de sua viagem. “O jornalismo, através da media, deve preocupar-se em tentar preencher as expectativas desses em relação às informações que busca”, explicou.
Como nos dá a conhecer Altino Júnior, o Jornalismo constitui um grande meio de divulgação de zonas turísticas de um país. Assim, um Estado que pretende se afirmar em termos de turismo, deve usar essa ferramenta para promover o que de melhor há no seu território em termos de lazer. E, em termos de turismo, Angola não deve a ninguém. É um país que teve a graça de ser bem abonado nesse aspecto. Agora só precisa divulgar as suas potencialidades turísticas, cada vez mais, a fim de atrair visitantes.
E isso não parece estar longe de acontecer. Se se olhar para um dos trechos do discurso feito pelo Presidente da República, João Lourenço, na tomada de posse dos novos conselhos de administração das empresas públicas de comunicação, onde dizia ser fundamental que o Canal Internacional da TPA reflicta, de facto, a realidade de Angola, a fim de vender a imagem do país e que mostre as suas belezas e grandes potencialidades, para, deste modo, atrair não apenas turistas, mas, sobretudo, potenciais investidores. Assim, facilmente se poderá concluir que o assunto em causa já faz parte das prioridades do novo Governo por si liderado. Agora só precisamos de fazer a nossa parte de modo a contribuirmos para o desenvolvimento do turismo no nosso país.
   

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