Opinião

Lição de maturidade

José de Mátis

Assim, à boca pequena, ouvimos dizer que os integrantes da Selecção Nacional de futebol, que toma parte do Campeonato Africano das Nações, com início depois de amanhã, no Cairo, passaram um “mata-borrão” pelos acontecimentos que marcaram de forma negativa a preparação, em Portugal, para se compenetrarem naquilo que serão as incidências do torneio. É o tal pacto que convinha celebrar.

Trata-se, na verdade, de uma informação que soa bem aos ouvidos daqueles que, por Angola, vivem as emoções do futebol com incontida paixão. A rapaziada, às ordens de Srdjan Vasiljevic, dá, deste modo, uma lição de maturidade desportiva que acaba, em última instância, por expressar o seu amor ao país, o patriotismo.
Afinal, o que ficou, ficou. O momento aconselha, por ora, a união de forças e a uma forma séria e adulta de olhar para aquilo que configura os objectivos nacionais. O nome do país deve sobrepor-se a todos quês e porquês, a todas as fricções, a todos os caprichos. Mas que este bom gesto não venha a ser aproveitado por ninguém.
Eles são merecedores daquilo que lhes cabe por direito. O seu bom gesto não pode e nem deve ser entendido como uma espécie de rendição na luta por aquilo que lhes cabe por direito, enquanto activos que prometem suar a camisola nas quadras, na perspectiva de lograr aquilo que, competitivamente, esteja estabelecido como meta.
Se eles se comprometem fazer a sua parte, logo quem se posiciona do outro lado da barricada também se deve achar na contingência de fazer a sua. Isto é, no mínimo, aquilo que se recomenda nesta hora a todos quantos de forma directa ou indirecta estejam envolvidos na ingente empreitada que pelo país inteiro mobiliza várias almas vivas entre os membros da tribo do futebol.
Enfim, colheu-nos a todos de surpresa o bom senso de atletas que, pelo que passaram na última fase de preparação, o normal seria esperar deles alguma relutância no lugar da firme disposição em encarar o torneio, jogando os ressentimentos e recalcamentos às urtigas, já que não levam à coesão nem a conquistas. Hoje é hoje, amanhã será outro dia. Assim terão pensado os homens, o que não deixa de ser um bom indicador para aquilo que se espera do Egipto… É, realmente, uma lição de apurada maturidade.

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