Opinião

“Lisabon”, turismo e Kebab

Santos Vilola/Lisboa

Quem visita Lisboa com regularidade mais ou menos nos últimos dez anos percebe hoje a transformação radical que o turismo fez a Portugal.
A conhecida “indústria do futuro” obriga a certa Lisboa a revelar que, num futuro muito breve, o conceito de cidadania terá de ser revisto fora dos actuais padrões do Direito Internacional e de legislações aplicáveis.

Se os precursores da imigração em recente naquele país europeu são chineses, migrados para lá por conta dos "Vistos Gold" que dava direito a residência a que investisse um mínimo de dez mil dólares no território, hoje a realidade revela outras dimensões.
Hoje, se fechar os olhos no Metro, num restaurante de zona turística, nas ruas principais, etc. de Lisboa ouvirá maioritariamente conversas em línguas estrangeiras.
Quando a migração chinesa tomou cidades portuguesas, principalmente Lisboa, os receios eram de que os portugueses iriam perder o seu pequeno comércio desde a restauração aos tecidos.
E de facto, hoje, pequenas lojas estão nas mãos de chineses - e a Almirante Reis em Lisboa é prova bastante disso -, das ourivesarias a roupas. Mas os portugueses podem ter seguramente ganho noutros aspectos.
O Governo promoveu, sobretudo nos últimos três anos, políticas de promoção do turismo que hoje se revelam um sucesso.
Antigas praças outrora pouso de migrantes desempregados - já digo quem são grande parte desses - e ciganos ambulantes “hipnotizadores” estão transformadas em zonas de restaurantes que fecham depois das 22h. Martim Moniz é um dos exemplos.
Rossio, Praça da Figueira e Chiado tem um movimento inédito de turistas até lá para a meia-noite. Todos filmam e fotografam o movimento intenso da baixa lisboeta.
Mas, depois, vieram os nepaleses, árabes, etc. e juntarem-se aos indianos e outros tantos da Ásia menor no pequeno comércio que está a alterar a tradição portuguesa, ou então a obrigar os "tugas" a adaptarem-se aos novos tempos desta imigração obrigatória inevitável. Tem, por exemplo, muito restaurante de Kebab pelas ruas de Lisboa que só me lembrava a Avenue de Clichy, Paris, de há dez anos completamente dominada por marroquinos, argelinos e outros tantos da África do Norte.
A migração brasileira é outro detalhe espantoso. Ver brasileiros em cada esquina faz entender que estes cidadãos tomaram a cidade por inteiro. Mas trabalham, em bares, restaurantes, café...
Está a desaparecer das ruas a pobre migração lusófona - excepção ao Brasil -, cujo Rossio e Praça da Figueira mostram progressivamente a sua extinção - são estes os migrantes desempregados de que falei lá para cima. Estes continuam “apostados” na mendicidade não por culpa própria, mas muito por conta de como chegaram a Portugal e do que deixaram nos seus países. Nada.
O português está a aprender a conviver melhor com estrangeiros. Vantagem para um português/ desvantagem para um turista estrangeiro desavisado, é a oferta de hospedagem.
Hoje, chegar a Lisboa sem confirmar a partir do seu país um alojamento é só equivalente a andar com as malas na rua durante quase um dia até encontrar algum lugar para acomodação.
Pequenas iniciativas comerciais de famílias dão um jeito ao abrir as portas a estrangeiros a preços baixos. Pequenos negócios familiares de arrendamento de habitação têm hoje o seu segmento no mercado hoteleiro/similar que resolvem o problema de muitos turistas estejam eles na cidade em trabalho ou negócios.
Tem até chineses com residências que as dividiram em pequenos quartos grandes moradias. Partilham-nas com turistas estrangeiros, por via de arrendamento temporário. Mas a disciplina é dura. Horários de entrada e saída e limitações de outra ordem.
Conhecida também, no calão de migrantes lusófonos, como "Lisabon", Lisboa tem hoje um conceito mais urbano de cidade europeia. Fora os Tuk Tuk, a mobilidade urbana tem nas bicicletas comunitárias uma alternativa para circular pela cidade, pagando pelo “giro” moedas metálicas e mediante o recurso a um aplicativo em smartphone. Já era assim noutras cidades europeias e da Ásia.
Há uma Lisboa diferente e atractiva ao turismo urbano por descobrir todos os dias.

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