Opinião

Mamadu sem cantina

Amândio Clemente | Radès

Tunis, capital da Tunísia e do andebol masculino africano, é uma cidade onde iniciou a revolução que mexeu e mudou radicalmente quase toda a região do Magreb, conhecida como Primavera Árabe, cresceu bastante para todos os pontos cardeais, o que significa que a sua população também aumentou significativamente, como espelha a progressão dos bairros à volta do velho centro.

Se antes da famosa revolução primaveril, a cidade já era uma grande atracção turística, agora aumentou a procura pelos seus encantos, bem como se tornou um grande refúgio para os habitantes das região subsaariana que vêem na Tunísia um bom local para procurar as oportunidades que não encontram nos seus países.
Por isso não é de estranhar o aumento da população não árabe na cidade, principalmente nos novos bairros, onde a cada passo cruzamos com cidadãos de países como Senegal, Mali, Niger, Nigeria, Serra Leoa, Costa do Marfim, para citar apenas estes do Oeste africano.
Muitos estão em busca de melhores condições, outros de um trampolim para o alto, para o fictício “el dourado” europeu, dada a proximidade com o velho continente, e alguns à procura do conhecimento.
Ao contrário do que acontece na nossa muangolê, ao “mamadus” aqui não encontram espaço para a sua vocação predilecta de fazer comércio, pois os tunisinos são outros mercadores com tradição secular nesta actividade, pelo que aqui têm que encontrar outra forma de ganhar a vida.
Por isso, é frequente encontrá-los como empregados de restaurantes, de limpeza e , como não são apenas os homens que procuram melhores condições noutras paragens, elas são normalmente empregadas domésticas.
No bairro El Wahat Aouina, onde eu e o da Purificação arrendamos um apartamento, somos frequentemente confundidos com os nossos irmãos oeste africanos. Quando explicamos que somos angolanos, os tunisinos perguntam-se o que estaremos a fazer tão longe de casa, sabendo a nossa pouca vocação para aventuras emigrantes dentro do continente.
Quando explicamos que o andebol é que nos troxe a estas paragens, compreendem e começam logo a falar da hegemonia continental das nossas Pérolas, o que nos enche de orgulho.
Nesta altura do ano, Tunis regista temperaturas muto baixas e, tal como nós, os nossos irmãos oeste africanos têm passado maus bocados, mas isso não lhes importa, porque afinal conseguem encontrar aqui aquilo que os seus países de origem não lhes pode proporcionar.

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