Opinião

Media e Eleições

Luísa Rogério |

O arranque formal da campanha eleitoral aprazado para o próximo sábado mergulha o país numa expectativa incomum. Os potenciais eleitores estão ansiosos para aferir as propostas dos seis concorrentes habilitados para as eleições gerais de 23 de Agosto.

Embora quase todos as forças políticas tenham já apresentado as linhas gerais das suas propostas de governação, depois de sábado os eleitores, principalmente os ainda indecisos, vão ter ao seu dispor uma bandeja cheia de propostas decisivas para perceber quem pretende o quê e como vai atingir os objectivos preconizados.
Projecta-se o intensificar de actividades inseridas na programação de campanha dos partidos. Comícios, encontros de aproximação com os eleitores e a divulgação de propostas sob diferentes formatos vão ser submetidos à avaliação pública. O grau de sofisticação, se preferirmos de eficácia, depende também da sigla política em causa. Obviamente, os dotados de maiores recursos estão em condições de melhor fazer. Dinheiro faz toda a diferença. Possibilita a contratação de estrategas, “marqueteiros” e outros profissionais à altura das encomendas.
Numa perspectiva alargada, as campanhas eleitorais privilegiam um gigantesco plano de comunicação com vista a “vender” planos susceptíveis de convencer o eleitorado e atingir o objectivo principal: captar votos. No entanto, ninguém vende seja o que for sem uma montra para exibir os “produtos”. É aqui onde se encaixam os meios de comunicação social com predominância para a televisão e rádio, no caso particular de Angola.
A necessidade de “montra” vale tanto para os meios urbanos quanto para os rurais. No canto mais escondido deste país há sempre alguém com o ouvido colado ao rádio de pilhas. Não espanta que a estratégia governamental para o sector destaque o apetrecho e potencialização da comunicação social pública que a todos deve servir. Outro factor a considerar é a comunicação em línguas nacionais. Geralmente remetida para o irrelevante patamar de parente pobre, a área de línguas nacionais merece atenção inusitada no período eleitoral. Basta sintonizar os canais correspondentes para compreender a máxima segundo a qual lamentos e apelos são descodificados de maneira eficaz quando transmitidos na língua materna.
Recapitulando, cabe aos meios de comunicação social reportar em igual medida os comícios e as agendas dos candidatos da UNITA, APN, PRS, MPLA, FNLA e CASA-CE. Na prática, bastas vezes destacam o que convém e omitem o que, na perspectiva do editor, não interessa mostrar. Entramos então no polémico terreno da manipulação, demasiado frequente em períodos eleitorais. Pedir respeito pela Constituição da República, Lei de Imprensa, regras profissionais e códigos ético-deontológicos soa a redundância? Pode virar o mais comum dos lugares desde que sirva de chamada de atenção para o tratamento igualitário devido a todas as forças políticas concorrentes.
Amiúde, vozes supostamente entendidas denominam linha editorial ao direito que alguns se arrogam de fazer alinhamentos político-partidários em função de outros interesses. Pode parecer romantismo descontextualizado exigir rigor, isenção, equilíbrio no quadro do respeito pelas normas e códigos associados ao desempenho dos meios de comunicação social. Simpatias existem. Em determinadas circunstâncias neutralidade equivale a utopia. Como se explora em muitos círculos “ninguém fica permanentemente por cima do muro”. Vistas de certos ângulos frases como essas têm a sua dose de verdade. Mas não custa recorrer à velha fórmula que recomenda o arremesso de tendências partidárias para os espaços de opinião e circunscrever notícias aos factos, com a ajuda de uma boa agenda.

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