Opinião

“Mike” Bloomberg: uma história de superação

Santos Vilola |

As linhas que verto hoje são sobre a história de um homem, retratada pela televisão que chega ao país por cabo ou por satélite. Foi despedido como corretor de bolsa e, ao invés de procurar outro emprego, criou a sua própria empresa.

Antes de existirem computadores, Michael Bloomberg ou Mike, como gosta ser chamado, já sabia que o “controlo” da humanidade estaria nesta máquina. Hoje, a partir do seu sofisticado teclado, com um software único e altamente protegido, a partir de Nova Iorque (EUA), já sabe, por exemplo, porquê falta combustível em Luanda em plena época de Natal, como é costume.
Do seu computador, ele sabe que um ou vários petroleiros que há anos dominam este negócio de cartel da distribuição de derivados do petróleo, atrasam atracar no Porto de Luanda, com os produtos do petróleo que produzimos refinados lá fora.
O senhor é tão virtuoso que é o único empresário no mundo que combinou os media, as tecnologias de informação e o capitalismo num projecto empresarial único. Na sua sede, em Nova Iorque, a comida é gratuita para os trabalhadores e não há gabinetes, nem sequer para ele. É um espaço aberto com secretárias apenas.
“Reunimos informações que as pessoas precisam, armazenámo-las, apresentamo-las e permitimos que sejam usadas”, diz “Mike”, a um canal de televisão também visto em Angola.
Bloomberg começou como corretor em bolsa. Descobriu uma maneira melhor para obter informações sobre a bolsa do que ler o “The Wall Street Journal”. Convenceu sócios de que os computadores eram a solução e o futuro. Foi despedido da empresa em que trabalhava e decidiu usar o dinheiro da indemnização para criar o monstro que hoje é a Bloomberg.
Neutro, analítico e pragmático. Hoje, recolhe, analisa e transmite informações sobre mercados financeiros do mundo. Toda a informação produzida é apresentada por centenas de meios de comunicação do mundo.
Na sua secretária, ele tem um terminal com acesso às secretárias de magnatas e correctores por todo o mundo, com som, dados, gráficos, imagens sobre o que se passa em bolsas pelo mundo.
Controla, a partir do seu computador, 300 bolsas de valores mobiliários (menos a angolana BODIVA que até agora só negoceia títulos da dívida), a localização de petroleiros no mundo (sabe onde vai faltar combustível em função de atrasos na entrega de refinados), entre outras coisas.
Tem 325 mil funcionários pelo mundo que recebem cada 25 mil dólares por ano. Ele sozinho controla quem vende o quê e a quem, as empresas, os seus accionistas, tudo a partir do seu computador.
O engenheiro de electrotecnia é também piloto de helicópteros e confessou que o que mais lhe agrada na pilotagem é o facto de que “se não cumprimos as regras, morremos”.
Chegou a pensar em concorrer a secretário-geral da ONU ou a director-geral do Banco Mundial. Acabou três vezes autarca de Nova Iorque. Chegou a ponderar concorrer a presidente dos Estados Unidos como independente.
Foi contra Donald Trump e, na linguagem nova-iorquina, disse: “Reconheço um vigarista à primeira vista”, referindo-se a Donald Trump.
Como rico, tem influência sobre o debate político no mundo e disse que respeita a influência mundial de pessoas como George Soros (de má/boa memória entre nós) e dos Irmãos Koch (conhecidos como especialistas mundiaisna luta contra o cancro). Portanto... “Mike” Bloomberg é o Big Brother dos mercados bolsistas.

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia