Opinião

Mobilidade e poupança

Guilhermino Alberto |

Um estudo conjunto de há três anos da Associação Industrial Angolana (AIA) e do Centro de Estudos Estratégicos de Angola apontava para um prejuízo de 2,8 mil milhões de dólares por ano devido ao congestionamento de tráfego automóvel em Luanda.

É um grande prejuízo para a economia e apenas de “dinheiro queimado” com o gasto de combustível durante o percurso casa-serviço e vice-versa. Nada tem a ver com o transporte de passageiros e mercadorias de Luanda para outras cidades do interior ou mesmo do litoral.
 E nesses gastos extraordinários não estão incluídos os prejuízos à saúde e ao ambiente resultantes da queima diária de combustível e da imobilização durante horas dentro do carro. Os gastos para tratar das lombalgias e de outras dores musculares causadas por horas a fio sem exercício físico aumentariam em muitos zeros à direita os prejuízos provocados pelo congestionamento de trânsito.
 Três anos depois da realização destes estudos, a situação não é a mesma, evoluiu para melhor, com a implementação pelo Executivo de medidas para facilitar a circulação automóvel na capital do país.
 Um exemplo disso é a abertura recente dos viadutos das avenidas Deolinda Rodrigues e Lueji Anconda, assim como do sistema viário Boavista/Sambizanga.
 São obras de engenharia impactantes, que vão certamente tornar mais fácil e rápida a circulação rodoviária em Luanda, principalmente na ligação entre o centro da cidade e a região metropolitana.
 Luanda estava de facto a precisar de vias-rápidas como essas. O desafio que se coloca agora é gerir bem o sistema.
 Sem querer colocar a foice em seara alheia, cá para nós, seria uma mais valia para a mobilidade urbana se as anunciadas vias exclusivas para os transportes colectivos de passageiros fossem implementadas sem grande demora. Com transportes colectivos de passageiros funcionais, muita gente não teria necessidade de sair de casa com carro próprio, utilizaria o transporte público, como acontece em várias cidades do mundo. É o que se faz lá fora e nós, angolanos, cidadãos muito viajados, sabemos disso como poucos.
 Não é bom que  casais saiam todos os dias para o trabalho com dois carros. Isso não só aumenta o número de carros em circulação, inviabilizando a mobilidade, como retira poupança às famílias.
 E aqui me  parece que as áreas dos recursos humanos da Educação e Saúde, que são os sectores que mais empregam em Luanda, têm utilizado pouco os estudos do Censo Geral da População e Habitação de 2014.
 Se assim não fosse, procurariam enquadrar melhor os seus recursos humanos. Não é compreensível que um professor ou enfermeiro que vive em Cacuaco seja posto a trabalhar em Talatona, no outro extremo da cidade, com todos os problemas que isso provoca na mobilidade e no bolso das pessoas. E nessa situação encontram-se muitos quadros desses e de outros sectores. É muito dinheiro deitado fora sem necessidade.
 Uma melhor distribuição dos recursos humanos por áreas de residência, como aconselha o Censo Geral, não só ajudaria a reduzir o congestionamento no trânsito automóvel, mas também a poupar o dinheiro que hoje se deita fora.

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