Opinião

Não matar, não roubar e nem mentir!

Ângelo Feijó *

Na nossa sociedade reduziu a influência positiva da família sobre os seus membros, o seu papel de vigilante e orientador, baixou a influência do professor sobre os alunos, cresceu o número de igrejas e seitas religiosas, mas parece que na mesma proporção cresceu a desvalorização da vida humana, reduziu o respeito ao próximo, cresceu o egoísmo, o afã pelos bens materiais de qualquer forma e aumentou a falsidade entre as pessoas.

Como inverter este quadro sombrio?
Longe de tentar responder à questão, parece-nos crucial que, desde tenra idade, todas as crianças sejam ensinadas e convencidas pela família, escola e igrejas, repetidamente e durante toda a adolescência, particularmente sobre três dos 10 Mandamentos de Deus (não matar, não roubar e não mentir/não levantar falso testemunho), para se tornarem adultos com uma conduta individual mais condizente com a sã convivência social.
É certo que nem todos adoptariam a atitude esperada, mas a maioria aderiria, pois, a palavra vinda dos pais, dos professores e chefes religiosos é muito credível. Por isso, estes devem explicar tenazmente as razões religiosas e morais pelas quais se deve obedecer a tais Mandamentos, os quais, nos parece, que os delinquentes em “exercício de funções” nunca ouviram falar. 
Às vezes, ideias utópicas nos impelem a pretender dar aulas básicas de educação moral, religiosa, e quiçá jurídica, aos delinquentes em “exercício de funções”. Falando em dar aulas, os delinquentes precisam de saber que existem quatro formas básicas de adquirir bens e serviços para as pessoas satisfazerem as suas necessidades e desejos, como sejam: 1 - Auto-produção. A pessoa produz o que ela própria necessita; 2 - Doação. A pessoa vive de doações/ofertas; 3 - Troca. As pessoas adquirem o que necessitam através de trocas; 4 - Roubo. As pessoas vivem do que roubam.
É estranho, não podemos negar, que é uma forma de viver. Porém, é, obviamente, a pior forma de viver, perigosa, egoísta, pecaminosa e criminosa. Nem a pobreza ou o desemprego a justificam. Só pode ser por falta de educação moral e religiosa aliada ao egoísmo em que, por exemplo, se vá à residência alheia, ou ao bolso alheio, retirar algo de que se necessita.
Se acreditarmos que ainda é possível corrigir ou reorientar os meliantes, deixaríamos às famílias e às igrejas a tarefa de convocá-los para o caminho do trabalho e do estudo. Se partirmos do pressuposto de que todo o delinquente per-
tence a alguma família e que nesta há sempre uma ou mais autoridades, então estes devem persuadi-los de que se deve viver na vida adulta com o fruto do seu próprio trabalho honesto.
Outrossim, insistimos que o país ganharia muito se conseguisse engajar cada vez mais crianças e jovens em actividades desportivas, culturais, religiosas e de formação técnica e profissional básica nos seus bairros, comunas e municípios, o que certamente despertaria muitos talentos.
Importa referir, que escolhemos estes três mandamentos (não matar, não roubar, não mentir) porque eles estão muito inter-relacionados. Se pudéssemos, perguntaríamos aos malfeitores se é verdade ou não que quem mata, pode roubar, pode mentir ou que, quem rouba pode matar e mentir, ou ainda que quem mente pode roubar e matar. Eles, melhor que ninguém, saberão que há verdade nessa percepção popular.
Portanto, a família, as igrejas e o Estado devem sintonizar-se na disseminação dos mandamentos referidos. De resto, apelamos para uma oração nacional para a reconversão dos delinquentes.

⃰Licenciado em Ciências Sociais e em Gestão de Empresas

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