Opinião

Novas técnicas de vigarice

Luciano Rocha

A pedinchice, nas mais variadas formas, que a imaginação consegue engendrar, actualizou processos, em Luanda, não se apresenta andrajosa, nem estende a mão ou apresenta mazelas, usa, até, roupas de marca.

A pedinchice moderna é constituía por “azarados” a quem o malvado depósito de gasolina fica, amiúde, “inesperadamente vazio” ou, ao mesmo ritmo , tem furado e o sobresselente está em casa e, ainda, “recém-saídos” de hospitais, de carteira vazia, mas gordas receitas a aviar na farmácia.

Em versões mais modestas, há as “mães” de “gestações” quase ininterruptas, sem avolumar de ventres, umas atrás das outras, sempre com filhos bebés que nunca se vê crescer. À frente delas um cartão com frases como “temos fome”. E as listas de avios de mercearia, com quantidades especificadas, não raro, com sugestões de marcas e alertas aos candidatos a beneméritos quanto a saldos, mas, igualmente, prazos de validade expirados ou prestes a estarem. Neste caso, a pedinchice é feita por grupos, com os elementos que os formam,, aparentemente desligados uns dos outros, com tarefas distintas. Por exemplo, um pede um pacote de arroz ou massa, outro, lata de atum, um terceiro, óleo e tomate, um quarto cebola e, por aí adiante.
Estas engenhosas formas de cravar, como doença peçonhenta, tem vindo a crescer em Luanda e, pelos vistos, hão-de continuar. Que imaginação de vigarista não tem limites.

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