Opinião

Novo pensar económico

Carlos Gomes

Às vezes fico a pensar que em relação ao tema, já tudo foi dito. Pois, por mais que eu tente, certamente acabarei por alinhar no discurso de todos aqueles que defendem que, mais do que pretendermos atribuir eventuais causas de insucessos à má formulação ou concepção de programas, devemos, isso sim, olhar mais para a “nossa” verdadeira (in)capacidade ou vontade política para a implementação ou materialização, sem rodeios, desses mesmos programas.

Programas e mais programas, tivemo-los em demasia, cada um a seu tempo e dimensão contextual, porém irreversivelmente atolados nas mesmas causas – vontade e determinação política, associadas a conflitos de interesses dos seus mentores, que por um lado os aprovavam, mas também os postergavam, pela ameaça que representavam em relação aos próprios interesses instalados.
O Presidente da República não poderia ter sido mais explícito, durante a entrevista concedida no dia 4 de Março a uma estação televisiva estrangeira: “....o nível de corrupção e impunidade eram insustentáveis ..., sob risco de afugentar os investidores estrangeiros”. Depreende-se desta afirmação a incapacidade subjectiva (na altura) em materializar, com rigor, qualquer programa que visasse corrigir o que quer que fosse pondo em causa interesses instalados, o que equivaleria a dar um “tiro no próprio pé".
O Presidente, durante aquela entrevista, admitiu, sem rodeios, que corruptos existirão sempre, como ocorre em outras latitudes, entretanto, contrariamente ao que acontecia, advertiu: todos aqueles que insistirem na prática de actos condenáveis que causaram e continuam a causar grandes males ao país, serão responsabilizados tanto disciplinar como criminalmente.
É na afirmação do mais alto magistrado da Nação que encontro ânimo para, uma vez mais, deixar bem vincada a minha convicção de que, havendo vontade em materializar programas a que “nos auto propusemos”, poderemos sim reverter o quadro macroeconómico desfavorável, contornando com “nervos de aço” todos os obstáculos que se colocarem pelo caminho, por se tratar de um desafio a ser abraçado e vencido por todos os estratos da sociedade, pois está em causa a boa gestão de 124,2 mil milhões de dólares – nosso PIB (Produto Interno Bruto), que nos coloca na quarta posição das maiores economias de África - atrás da Nigéria, África do Sul e Egipto, segundo a revista US News and World Report.
Novo pensar económico pressupõe não ser promíscuo: político e empresário ou governante e comerciante simultaneamente. Impõe-se a separação das águas: ou se é político e governante ou se é empresário, comerciante ou simplesmente lobista – condições mutuamente exclusivas. Urge a desconstrução e mudança de mentalidades, com o enfoque na competência, comprometimento, responsabilidade, ética profissional, para elevação do patriotismo, com renúncia expressa ao sentimento egocêntrico, colocando os interesses colectivos acima do imediatismo pessoal.
Novo pensar económico implica, em última instância, como afirmou recententemente um político angolano, deixar de se olhar para o “contrato (oportunidade) como base e a comissão (peculato) como factor decisivo” –mas antes pelo contrário, como profetizou Agostinho Neto – Primeiro Presidente de Angola: “Resolver os Problemas do Povo” é, sim, o mais importante.

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