Opinião

O alerta de João Lourenço

Luciano Rocha

O alerta recente de João Loureço quanto à urgência de tomada de medidas, a nível mundial, para neutralizar acções terroristas em várias zonas de África confirmam a visão estratégica global que ele tem da política nacional e internacional.


A preocupação, é disso, também, que se trata, anunciada à comunicação social, na segunda-feira, em Addis Abeba, baseia-se nas situações de terror vividas, actualmente, na Bacia do Lago Chade, Corno de África e Região do Sahel da qual fazem parte Senegal, Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Argélia. Níger, Nigéria, Chade, Sudão e Eritreia, mas que, como notou o Presidente angolano, a breve trecho, pode alastrar-se a todo o continente, com as consequências que se conhecem, pondo em causa, não apenas a segurança de populações, mas, igualmente, os êxitos conseguidos na generalidade dos sectores da vida das nações.
Agostinho Neto disse um dia que a luta do povo angolano contra o jugo colonial, nas várias facetas que o constituem, só terminava quando a África do Sul, a Namíbia e o Zimbabwe fossem Estados Independentes. João Lourenço assume a mesma linha de pensamento e actuação, ciente que os povos só são autenticamente livres, quando conseguem ser donos dos destinos que lhes pertencem, sem interferências externas, apresentem-se elas nas formas de coação, chantagem, paternalista, todas com o mesmo objectivo, o aproveitamento criminoso de riquezas alheias, o saque.
Por todas estas razões e muitas mais, o Presidente angolano recordou que “sem paz não há desenvolvimento”, mesmo que tenha sido criada uma Zona de Comércio Livre em África, pois, “quer o comércio, quer a economia, de uma forma geral, só poderão ter êxito se os países viverem em paz”. E aqui, perdoem-nos a expressão, é que “a porca torce o rabo”, sabido, como se sabe, haver quem com ela não consegue continuar a enriquecer praticamente sem deixar o conforto dos gabinetes climatizados, a não ser para reuniões, simpósios, palestras, jantaradas, discursos de eloquências vazias de verdades sobre “generosidades” de doações “desinteressadas” para construções e reconstruções de escolas, estradas, fontanários, infantários, hospitais, lares de idosos, lavras, pontes que decidiram destruir com explosivos que fabricam. O mundo transborda de exemplos diários da destruição de tudo, vidas humanas incluídas, pela acção hipócrita dos “senhores da guerra”. A indústria armamentista, recorde-se, é parte substancial dos orçamentos de determinados países e nenhum é de África.
O político e militar que é João Lourenço sabe isso, como não desconhece que a solução não é ficar parado, de braços cruzados, fechado em gabinete climatizado, tão ao gosto dos “senhores da guerra” e apêndices, que se vestem de poder sem o ter, lhes obedecem cegamente, sempre às ordens, escravos do dinheiro, bajuladores militantes, no fundo, os judas dos tempos modernos. Que êxito vai ter em mais esta iniciativa? É difícil prever. O que tem garantido é que o combate é longo e os inimigos são poderosos. “E depois?”, há-de perguntar o angolano anónimo numa roda de amigos ao fim de tarde, num almoço de sábado, na viagem de candongueiro, já com a resposta a sair-lhe entre sonora gargalhada: “E a guerra contra os invasores não demorou? Não a ganhámos? Tugas, sul-africanos, invasores de outras terras de tão longe, não os derrotámos? E esta contra os marimbondos, que diziam era só “boca para fora”, o inimigo não começou já fugir, esconder-se, alguns não foram já agarrados?
Excepção a optimismos exagerados, a verdade é que alguém tem de dar o primeiro passo no combate aos interesses armamentistas que têm dilacerado África. João Loureço deu um passo à frente, disse estar disposto a fazê-lo.

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