Opinião

O combate à pandemia traduzido em números

Eduardo Magalhães*

O cenário de estagnação/crise da economia não é uma exclusividade de Angola, mas em tempos de esforços de todos os angolanos, conhecer os números (valores e custos) investidos pelo Executivo ajuda-nos a perceber melhor o tamanho e dimensão do que é prioritário para salvaguardar a vida e garantir ao cidadão angolano a maior segurança possível no enfrentamento do novo coronavírus.

Sobre o tema, da recente conferência de imprensa do ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, Pedro Sebastião, foi reveladora.
“O Executivo já gastou cerca de 43 mil milhões de Kwanzas, nas mais variadas rubricas para o combate e prevenção à Covid-19 no país”, disse o ministro de Estado e coordenador da Comissão Multissectorial de Prevenção e Combate à Covid -19, Pedro Sebastião. As medidas de repatriamento de cidadãos angolanos retidos nos vários países do mundo com uma logística de elevado dispêndio e complexidade são somadas aos custos elevados investidos na quarentena institucional. Para além disso, todo o material de biossegurança, adquirido para o uso nesta campanha de prevenção e combate contra a Covid-19, aumenta os números das despesas que constituem este exercício hercúleo que a governação está a fazer face aos desafios impostos por esta pandemia.
Como sempre tem sido anunciado, o esforço é de todos os angolanos. Pandemia não é uma escolha, mas sim uma situação que altera a rotina dos países e dos povos. No lugar do reparo crítico que, por falta de conhecimento nuns casos ou má-fé noutros, usa como parâmetro a situação de normalidade anterior ao decreto da OMS, o cidadão angolano deve contextualizar e até estabelecer paralelos com outras realidades, pois, em todo o mundo, as notícias predominantes são de aprofundamento de ditaduras, falência de empresas, elevado número de desempregados, crescimento da pobreza e mortes por falta de atendimento médico.
Longe de transferir o peso dos valores investidos para a sociedade, o Governo (em mais um gesto de sensibilidade à dura realidade de que a pandemia atinge a economia) suspendeu, através de Decreto Executivo Conjunto dos Ministérios da Educação, do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação e da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social, assinado e já em vigor, a cobrança e pagamento de propinas em todas as instituições públicas, privadas e público-privadas de educação, em todos os níveis de ensino, até a retoma das aulas presenciais.
Mesmo com a queda na arrecadação, no mesmo Decreto Executivo Conjunto ficou estabelecida “a manutenção da suspensão da actividade lectiva e académica nas instituições públicas, privadas e público-privadas de educação, ensino e de formação profissional, em todos os níveis de ensino”. Salvar vidas é mais importante do que fingir uma normalidade que não existe. Todos nós sabemos que haverá um momento em que seremos forçados a conviver com a Covid-19, até que a vacina seja anunciada. Antes disso, devemos atentar para a “nova realidade” que é forjada na adversidade e sacrifício em prol da vida do nosso povo.
O ministro de Estado e coordenador da Comissão Multissectorial de Prevenção e Combate à Covid -19, Pedro Sebastião, foi didáctico quando detalhou as medidas de repatriamento de angolanos retidos no estrangeiro. Segundo ele, já regressaram ao país 5.771 cidadãos, dos quais 2.158 de Portugal, 1.470 da África do Sul e 512 do Brasil. Foram, também, repatriados angolanos de Cuba, Rússia, Namíbia, Índia, Zâmbia, Zimbabwe, Turquia, Congo Brazzaville e República Democrática do Congo (RDC). O ministro de Estado explicou que, à excepção dos passageiros dos voos dos dias 17 e 18 de Março, provenientes de Portugal, todos cumpriram a quarentena institucional, nos centros de Calumbo I e II e, também, em hotéis previamente seleccionados pela Comissão Multissectorial.
O ministro de Estado informou também que o tempo médio de permanência no local para cumprimento da quarentena institucional é de 10 a 20 dias. Cada pessoa custa por dia aos cofres públicos 50 mil Kwanzas. Convenhamos todos, estamos a falar de um montante considerável e que representa um esforço notável para que possa ser mantido. Sobretudo, como sabemos, no cenário de estagnação e incertezas em relação aos rumos da economia mundial. É o preço que se paga como investimento na preservação do nosso maior património: o nosso povo.
Diante de tudo isso, convém lembrar que no seu discurso de 30 de Junho o Presidente da República foi enfático ao afirmar que “mesmo em situação de crise económica que se arrasta desde 2016, nunca o país admitiu tantos médicos, enfermeiros e técnicos como agora, desde que em 2018 decidimos voltar a abrir os concursos de avaliação e ingresso de quadros para a Educação e a Saúde, depois de anos sem o fazer.” Esta é a síntese de quem está a pensar em salvar vidas para, esperamos em breve, poder ter como salvar a economia.

* A sua opinião não engaja o MINTTICS

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia