Opinião

O Estado angolano e as igrejas

O poder político em Angola, pelo menos, desde a abertura multipartidária, procurou manter relações cordiais com todas as confissões religiosas reconhecidas e que se conformam às suas leis, nunca tendo fechado as portas a nenhuma.

O ambiente que tem permitido o surgimento de inúmeras entidades de fé e doutrina, numa altura em que existem centenas à espera de reconhecimento por parte das autoridades, constitui prova da flexibilidade, abertura e estratégia do Estado na promoção das boas relações.
Na visita oficial que o Presidente da República, João Lourenço, realizou ao Estado do Vaticano, a convite do Sumo Pontífice, a posição, segundo a qual Angola não pretende favorecer algumas igrejas em detrimento das demais ficou muito bem expressa.
Vale dizer que se trata de relações de Estado a Estado, uma vez que o Vaticano constitui, ele mesmo, também um Estado, uma entidade que, no âmbito das relações internacionais, pode estabelecer laços de cooperação com os outros em igualdade de circunstâncias.
Com a Igreja Católica, os laços para com Angola e seus povos, antes mesmo de se constituir como país, são seculares, remontam a cerca de 400 anos. Nenhuma outra entidade tem uma relação de proximidade e, neste caso concreto, de partilha da mesma fé e doutrina, com a dimensão que a Igreja Católica e parte significativa do povo angolano, independentemente do lado bom e mau desses laços.
Salvaguardado o passado, com as devidas ressalvas e desculpas oportunamente assumidas pela Igreja Católica, pelo papel nem sempre construtivo que teve ao longo de diferentes etapas do seu percurso nas terras sob conquista e colonização, hoje, as relações conhecem uma dimensão inegavelmente positiva a muitos níveis. As palavras do ministro das Relações Exteriores, segundo as quais “a Igreja Católica tem, em Angola, um papel não só religioso, mas também um trabalho social com largos benefícios para a população, em várias áreas, como a Educação, Saúde e Assistência Social”, espelham bem a presença dessa importante entidade eclesiástica no nosso país.
É preciso que se reconheça que o papel exercido pela Igreja Católica, sobretudo na componente não religiosa das suas actividades, ganhou foros de uma intervenção quase insubstituível nas áreas da Educação e Saúde, na moralização da sociedade, entre outras iniciativas. O Estado angolano congratula-se com essa importante parceria que mantém com a Igreja Católica e, como provam as iniciativas, mais ou menos, semelhantes de outras confissões religiosas, manteve sempre as portas abertas para os outros entes religiosos. A assinatura do Acordo Quadro entre o Estado angolano e o Vaticano, bem como as relações privilegiadas entre as autoridades angolanas e a Igreja Católica não inviabilizam que outras igrejas se aproximem do Estado angolano. São todas, aquelas oficialmente reconhecidas pelo Estado, bem-vindas nos seus desígnios desde que estes se compatibilizem com os fins procurados pelos angolanos, de construção de uma sociedade livre, justa, democrática, solidária, de paz, igualdade e progresso social. Fazemos votos que a visita de Estado do Presidente da República sirva para re foçar os laços que Angola mantém com o Estado do Vaticano e que, no âmbito do Acordo Quadro, recentemente assinado entre as duas partes, sejam mantidas as relações para bem das duas partes.
Pela frente fica todo um caminho que as duas partes deverão fazer na direcção que os tratados e convenções que regulam as relações entre os Estados determinam.

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