Opinião

O mistério das pirâmides tem uma nova descoberta

Victor Carvalho

O Egipto anunciou recentemente uma nova descoberta que deixa perceber um pouco daquilo que envolveu o processo de construção das pirâmides, um mistério secular que tem servido de argumento para uma série de conjecturas e para alimentar todo o tipo de especulações.

Através do Ministério das Antiguidades do Egipto acabamos de saber ter sido efectuada uma descoberta sobre a forma como poderiam ter sido transportados grandes pedaços de pedra para construir edifícios, incluindo pirâmides, durante o reinado do rei Khufu.
De acordo com esta nova descoberta, o transporte dessas pedras teria sido feito através de uma rampa de madeira com uma inclinação suficientemente acentuada para facilitar esse trabalho.
Uma equipa conjunta formada por elementos do Instituto Francês de Arqueologia Oriental (IFAO) e da Universidade Britânica de Liverpool estudou mais de 100 inscrições e descobriu alguns destroços de instrumentos de madeira, que levou os especialistas a deduzirem que os antigos egípcios utilizavam uma rampa para extrair blocos de alabastro da pedreira de Hatnub, juntamente com a ajuda de madeira e cordas de origem vegetal para apoiar as pedras no processo de transporte.
Ainda de acordo com essa nova descoberta, no centro da construção encontrava-se uma plataforma inclinada, com escadas e aberturas em ambos os lados, onde se podiam encaixar colunas de madeira e enrolar as cordas. Depois disso, os blocos eram colocados numa espécie de “trenó” de madeira e puxados com as cordas.
Entusiasmado com esta nova descoberta, o secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egipto, Mustafa Waziri, disse que esta é “a primeira vez que se descobre o sistema de mudança de blocos da pedreira e como era possível levantar esses blocos de várias toneladas, o que muda completamente a compreensão sobre a construção das pirâmides”.
Esta equipa está a estudar desde 2012 a pedreira e tem encontrado sucessivas inscrições que fornecem informações sobre os blocos de pedra e a técnica utilizada para os levar até ao rio Nilo, a 20 quilómetros de distância, e de onde eram transferidos em navios.
Uma das teorias mais frequentemente utilizadas referia que os grandes monumentos teriam sido construídos por extraterrestres. Esta teoria chegou mesmo a ser reproduzida em “Stargate”, um filme do cineasta Roland Emmerich em 1994, e posteriormente defendida por vários arqueólogos.
Outra teoria foi criada por um grupo de cientistas alemães, que acreditavam que as pirâmides do Egipto foram construídas pelos moradores de Atlântida.
Para comprovar esta ideia, o grupo conseguiu mesmo uma autorização especial para visitar áreas restritas das pirâmides e tentou roubar objectos para exibir como prova da sua teoria.
Mas, as preocupações do Egipto em descobrirem as raízes da sua história não se esgotam em desvendar os mistérios das pirâmides, uma vez que se estendem a outras descobertas que estão constantemente a ser feitas.
Há semanas, por exemplo, o Governo anunciou que arqueólogos desenterraram uma das aldeias mais antigas já encontradas no delta do Nilo, com vestígios anteriores ao tempo dos faraós.
O Ministério das Antiguidades, entidade encarregue de coordenar todos esses trabalhos, avançou que o local neolítico foi descoberto em Tell el-Samara, cerca de 140 quilómetros a norte do Cairo.
O líder da equipa de arqueólogos, Frederic Gio, explicou que a sua equipa encontrou silos contendo ossos de animais e comida, indicando que havia humanos a habitar aquele local no ano 5.000 antes de Cristo e cerca de 2.500 anos antes de serem construídas as pirâmides de Gizé.
A descoberta ocorreu quando os arqueólogos estavam a drenar as águas das chuvas que alagavam os terrenos à volta dos quais está o referido templo.
O ministro egípcio das Antiguidades anunciou a descoberta à imprensa e revelou que a estátua personifica a cabeça de um ser humano num corpo de leão e que, provavelmente, ela foi construída no ano 305 depois de Cristo.
Mas, a ampla divulgação que é dada a estas descobertas é tudo menos inocente. Na verdade, estas revelações inserem-se numa ampla campanha para reavivar o turismo, indústria que sofreu um duro revés com a agitação que se seguiu à revolta popular de 2011 em Ptolemaico.
Sendo o turismo a principal fonte de captação de receitas do país, ao lado das tarifas cobradas pela passagem de cada embarcação pelo Canal do Suez, facilmente se compreende que as autoridades egípcias ampliem esforços para que se multipliquem novas descobertas, pois só dessa forma é que se poderá manter na lista de destinos internacionais das agências que dominam esta importante indústria.

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