Opinião

O “olho clínico” do PR

Carlos Calongo

No espaço de pouco mais de um ano de governação, o Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, visitou quatro das principais unidades hospitalares localizadas na capital do país, nomeadamente, Hospital Sanatório de Luanda, (15 de Dezembro de 2017), Américo Boavida (29 de Dezembro de 2018), Hospital Geral de Luanda e Josina Machel (16 de Fevereiro de 2019).


É de assinalar, igualmente, a visita realizada à fábrica de medicamentos (Angomédica), de que apenas resta a história, a considerar a paralisação da actividade para a qual foi concebida, e que há muito entrou numa maré de estorvo, surgindo pelo meio actos de privatização e agora de fala em retoma da tutela a favor do Estado.
À luz da política de privatização que o país aderiu já lá se vai o tempo, observando os preceitos legais do referido processo, não temos opinião contrária em relação ao facto que em sí da Angomédica, sendo que nos apossa algum desconforto para adoptar igual posicionamento em relação aos actos seguintes, dos quais se destaca o facto das instalações privatizadas voltarem a estar à disposição do anterior proprietário (Estado), que (re) aparece nas vestes de inquilino, pagando valores dos quais o somatório de dois meses é bastante para resolver problemas que muitos de nós enfrentamos há anos.
Daí a suspeição de “ter sido um processo pouco claro”, conforme avançou a ministra da Saúde, pronunciamento que, na nossa apreciação, foi feito à quente, e pode ser entendido como tentativa de sacudir a água do capote, a considerar que, sobre o assunto, não nos ocorre memória de algum pronunciamento público da senhora ministra, aliado ao facto de, os substitutos de cargos públicos obrigarem-se ao dever de assumir o activo e passivo da gestão anterior, claro, nos marcos da ética, moral, institucional e legalmente correcto.
Entretanto, uma das inferências é que não ficaria nada mal observar-se alguma prudência na abordagem pública do assunto, salvo o entendimento daquelas coisas ardilosas que na política são conhecidas como “alinhamentos ou estratégias”, para provocar o acontecimento, antecipando-se na conquista da razão na esfera pública.
Pelo sim e/ou pelo não, damos nota positiva ao facto de assuntos do género serem levantados em sede de visitas de campo do Titular do Poder Executivo, que pode ter deixado nas entrelinhas o recado de que, o velho hábito de prestação de contas por via de relatórios, apesar do seu valor documental, pode já estar desprovido da força enganadora que em certos casos tinham.
Aliás, é conhecido o provérbio da oralidade africana segundo o qual “o cavalo engorda com o olho do seu dono”.
Aplicada a referida máxima à razão dos factos, reportamos como de elevado senso humano e estratégia de governação, a orientação do Presidente da República para serem realizadas obras de reabilitação e expansão do hospital sanatório de Luanda, que apresenta a sua estrutura, construída há mais de 49 anos, vocacionada ao tratamento da tuberculose que é uma patologia com alta mortalidade, e constitui um caso sério de saúde pública face ao avançado estado de degradação.
Na mesma senda, o Hospital Américo Boavida vai beneficiar de reabilitação profunda, ainda no decorrer deste ano, para suplantar os problemas de micro e macro drenagem que estão a degradar as fundações do edifício fundado em 1958, com a particularidade de ser hospital universitário de referência, com quase todas as especialidades, excepto as de otorrinolaringologia e oftalmologia.
Em relação ao Hospital Geral de Luanda, a boa nova é a atribuição de uma dotação de USD 1 milhão e 500, que segundo o director da referida unidade hospitalar, será aplicada na compra de aparelhos de Raio X, monitores e na melhoria dos serviços de ortopedia, fisioterapia, cardiologia, entre outros, necessários à assistência dos pacientes.
Pelo que se conhece do estado do sistema de saúde angolano, pejorativamente diagnosticado como sendo doente, não restam dúvidas que as acções atrás evocadas, fruto das constatações “vis a vis”, reflectem a importância que o Presidente da República atribui ao sistema de saúde local, para o qual tem o “olho clínico” apurado.
Aliás, de seu próprio punho, o Titular do Poder Executivo reafirmou, através das suas contas no Facebook, Instagram e Twitter, que "a saúde constitui prioridade do Executivo" e "não descansará enquanto continuar a haver mortes por doenças evitáveis" no país.
Entretanto, outra atitude não teríamos senão aplaudir o olho clínico do PR em relação ao sector da Saúde de Angola, há muito em estado de coma, pelo que sugerimos a abertura de igual frente no sector da Educação que, pelos problemas que vive, pode ser rotulado de “deseducação”, passe a deselegância do termo.

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