Opinião

O desafio das ravinas é para atacar com urgência

Ikuma Bamba

As erosões constituem um processo de transformação dos solos por causa da acção dos agentes endógenos e  exógenos que consistem no desgaste de rochas e paisagens.

Trata-se de situações que ocorrem também fruto da imprudência das acções humanas que se multiplicam,  provocando prejuízos ao meio ambiente e na vida das pessoas diariamente.
Numa boa parte do país o fenómeno é um facto, acrescidas de factores como as ocupações ilegais para a construção de moradias ao longo das linhas de água, queimadas descontroladas, garimpos diversos, a prática irregular da agricultura, o desflorestamento massivo e desordenado.
Toda essa realidade, como sabemos, contribui para que, diariamente nos cheguem relatos do tipo “no Bié as ravinas engoliram mais residências”, “na Lunda Sul o fenómeno ameaça dividir alguns bairros do Saurimo”, entre outras informações preocupantes de progressão das ravinas.
E tratam-se mesmo de informações preocupantes tais como aquela, divulgada no mês de Janeiro,  segundo a qual “no centro da cidade do Moxico junto as instalações da RNA os cidadãos perderam os seus estabelecimentos”.
Na verdade, são informações que nos preocupam sobretudo os poderes públicos que, atendendo as responsabilidades acrescidas que detém, precisam de actuar com celeridade e eficácia. Mas sempre com a devida e pronta colaboração das populações.
Recentemente e numa entrevista a Rádio Nacional da Angola, o Engenheiro Rui Marques, Director Adjunto do Laboratório de Engenharia de Angola (LEA) tinha declarado que o país nunca teve um programa integrado de combate as ravinas e que as intervenções que se assistiam eram paliativas.
Para o referido especialista, é impossível resolver o problema das ravinas com medidas que pecam pela ligeireza e superficialidade, razão pela qual urge fazer-se estudos, avaliações aprofundadas sobre o problema e engajar pessoas conhecedoras do fenómeno.
“É bom que se oiçam os que efectivamente dominam o assunto, o LEA tem vários estudos elaborados para o combate ao fenómeno, há soluções e temos quadros capazes”, disse o engenheiro em jeito de advertência.
Por seu lado, o engenheiro Agílio Campos, em declarações a Rádio Escola, fez saber que a empresa que representa elaborou um Plano Estratégico de Monitorização e Estabilização dos Solos (PEMES), com as soluções técnicas e económicas para redução do impacto causado pelas ravinas.
Essa iniciativa visa, através da aplicação de um programa,  quatro tarefas fundamentais, nomeadamente o combate efectivo, o monitoramento e manutenção permanente, bem como o refrescamento dos técnicos, assim como a sensibilização das populações afim de ajuda-las a dominar o fenómeno.
“É errada a ideia de que as ravinas demandam avultados investimentos, isso ocorre porque nós não atacamos de imediato o problema. Temos de mudar o paradigma com urgência, avançar com soluções a curto, médio e longo prazo, isso faz-se até com pouco dinheiro, desde que devidamente planejado”, disse o especialista.
Fruto do que ouvimos e lemos a respeito, bem como de acordo com as fontes,  tudo indica que não existem medidas que permitam o estancamento definitivo das ravinas pelo país por se tratarem de fenómenos essencialmente naturais.
Entendemos que seja urgente a adopção de medidas multidisciplinares, envolvendo as várias áreas de engenharia civil, ambiente, agricultura, biologia, antropologia e outras.
O país precisa de um conjunto de soluções, desde o planeamento, o diagnóstico, as intervenções prioritárias já identificadas e assim acautelar com o que podemos designar de “Programa Nacional de Combate as Ravinas”.
Pautada por uma abordagem global, com o envolvimento de toda a administração e os demais segmentos da sociedade, na busca de soluções que impeçam os paliativos e ataquem o problema na essência, de forma coordenada para resultados efectivos.

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia